O Destacamento de Fuzileiros Especiais Nº9 fez a sua comissão em Moçambique entre 69 e 71
domingo, 24 de outubro de 2010
As memorias de um eis combatente No 12
Novos ambientes, novas paragens, agora do outro lado e para o interior.
Distrito de Téte. Quente. Província bem quente em temperatura.
De avião até Téte.
De coluna de Téte até ao Magué Novo, ficando ali por dois dias.
Na segunda noite, dois ou três de nós, mais um ou dois do Exército e num LandRover resolvemos ir beber uns copos a Mocumbura na fronteira da Rhodesia que ficava a cerca de cinquenta quilometros.
Para nossa sorte, na volta e ao entrar no aquartelamento, a gasolina acabou, teria sido bem complicado se tivesse acabado longe.
Nova deslocação, mais uns bons qilometros, por uma picada em muito mau estado, até ao Magué Velho, aqui junto ao rio Zambeze.
Novo acampamento a ser construido.
Patrulhamentos pelo rio, em Zebro III. Patrulhas de reconhecimento pela zona, nada de importante a não ser o rebentamento de canoas á granada.
Um dia um camião mercedez com saida do Magué Velho com destino a Téte.
O António Rafael Garcez de Sena Freitas Mar FZE 728/65 (mais conhecido pelo Arraza) era o condutor. Mais alguns Fuzileiros em cima na carroçaria para apanhar ar fresco.
Na picada e já bastante longe do Magué Novo, há uma embuscada.
Um elemento dos terroristas salta para a picada com um lança roquetes, á o disparo e o roquete atinge a roda detraz do camião.
Da direita e na zona de morte, (uso este termo por ser a área em que a viatura está no centro da embuscada) há uma serie de disparos, havendo a imediata resposta do pessoal do camião. O parabrisas tambem é atingido ficando todo estilhaçado.
Sem ver nada para a frente. Com os punhos o Arraza empurra-o para a frente.
Com uma roda detraz bloqueada consegue tirar o camião daquela zona.
Creio terem sido seis feridos ligeiros que tivemos nesta emboscada.
Para o Magué Velho e em Zebro III são feitos os abastecimentos.
Carregados da Chicoa e pelo rio acima com passagem pelos rápidos o que não era muito facíl pela velocidade da água.
Com a construção de Cabora Bassa toda esta área desapareçeu.
Geralmente um Fuzileiro sózinho por bote para fazer o transporte do carregamento de mantimentos que eram levados para o nosso acampamento, não mais de dois botes de cada vez.
Tambem fiz algumas destas viagens sózinho.
Algumas noites de patrulha pelo rio e junto a margem, com um holofoto para ver o que se passava na margem, algumas vezes era imprecionante ver tantos reflexos de olhos de jacarez, parecia uma pequena cidade.
Rio Zambeze tambem muito povoado por hipopotamos.
Por outras vezes e no mato, tentando caçar para comer algo diferente.
Lá se passaram alguns meses.
Do Magué Velho, para mais perto de Téte, para o Tchirose.
Bem lá em cima no alto do morro a uns bons cinquenta metros se não mais acima do nivel do rio.
A divisão do pessoal entre o Tchirose e Téte. Estivemos mais ou menos por um mês, ou pouco mais.
E aqui meus amigos, com mais alguns dias em Téte e depois de vinte e sete mêses no norte de Moçambique, terminou a sua comissão o Destecamento de Fuzileiros Especiais No 9 entre 1969 e 1971.
Não me lembro mas creio termos voado até á Beira para o embarque no navio da Marinha Mercante, o Princepe Perfeito.
Para mim só por um dia e uma noite e por preferência para ficar em Moçambique.
Finalmente e para mim o desembarque em Lourenço Marques.
Com a despedida de todos os camaradas e amigos que tinhamos combatido juntos pelo norte.
Ficando agregado ao Comando Naval por mais três meses por falta do papel de passagem á disponibelidade, que devia ter sido deixado pelo destacamento.
Aqui passo á reserva da Marinha no dia 2/11/1971.
Distrito de Téte. Quente. Província bem quente em temperatura.
De avião até Téte.
De coluna de Téte até ao Magué Novo, ficando ali por dois dias.
Na segunda noite, dois ou três de nós, mais um ou dois do Exército e num LandRover resolvemos ir beber uns copos a Mocumbura na fronteira da Rhodesia que ficava a cerca de cinquenta quilometros.
Para nossa sorte, na volta e ao entrar no aquartelamento, a gasolina acabou, teria sido bem complicado se tivesse acabado longe.
Nova deslocação, mais uns bons qilometros, por uma picada em muito mau estado, até ao Magué Velho, aqui junto ao rio Zambeze.
Novo acampamento a ser construido.
Patrulhamentos pelo rio, em Zebro III. Patrulhas de reconhecimento pela zona, nada de importante a não ser o rebentamento de canoas á granada.
Um dia um camião mercedez com saida do Magué Velho com destino a Téte.
O António Rafael Garcez de Sena Freitas Mar FZE 728/65 (mais conhecido pelo Arraza) era o condutor. Mais alguns Fuzileiros em cima na carroçaria para apanhar ar fresco.
Na picada e já bastante longe do Magué Novo, há uma embuscada.
Um elemento dos terroristas salta para a picada com um lança roquetes, á o disparo e o roquete atinge a roda detraz do camião.
Da direita e na zona de morte, (uso este termo por ser a área em que a viatura está no centro da embuscada) há uma serie de disparos, havendo a imediata resposta do pessoal do camião. O parabrisas tambem é atingido ficando todo estilhaçado.
Sem ver nada para a frente. Com os punhos o Arraza empurra-o para a frente.
Com uma roda detraz bloqueada consegue tirar o camião daquela zona.
Creio terem sido seis feridos ligeiros que tivemos nesta emboscada.
Para o Magué Velho e em Zebro III são feitos os abastecimentos.
Carregados da Chicoa e pelo rio acima com passagem pelos rápidos o que não era muito facíl pela velocidade da água.
Com a construção de Cabora Bassa toda esta área desapareçeu.
Geralmente um Fuzileiro sózinho por bote para fazer o transporte do carregamento de mantimentos que eram levados para o nosso acampamento, não mais de dois botes de cada vez.
Tambem fiz algumas destas viagens sózinho.
Algumas noites de patrulha pelo rio e junto a margem, com um holofoto para ver o que se passava na margem, algumas vezes era imprecionante ver tantos reflexos de olhos de jacarez, parecia uma pequena cidade.
Rio Zambeze tambem muito povoado por hipopotamos.
Por outras vezes e no mato, tentando caçar para comer algo diferente.
Lá se passaram alguns meses.
Do Magué Velho, para mais perto de Téte, para o Tchirose.
Bem lá em cima no alto do morro a uns bons cinquenta metros se não mais acima do nivel do rio.
A divisão do pessoal entre o Tchirose e Téte. Estivemos mais ou menos por um mês, ou pouco mais.
E aqui meus amigos, com mais alguns dias em Téte e depois de vinte e sete mêses no norte de Moçambique, terminou a sua comissão o Destecamento de Fuzileiros Especiais No 9 entre 1969 e 1971.
Não me lembro mas creio termos voado até á Beira para o embarque no navio da Marinha Mercante, o Princepe Perfeito.
Para mim só por um dia e uma noite e por preferência para ficar em Moçambique.
Finalmente e para mim o desembarque em Lourenço Marques.
Com a despedida de todos os camaradas e amigos que tinhamos combatido juntos pelo norte.
Ficando agregado ao Comando Naval por mais três meses por falta do papel de passagem á disponibelidade, que devia ter sido deixado pelo destacamento.
Aqui passo á reserva da Marinha no dia 2/11/1971.
domingo, 17 de outubro de 2010
As memorias de um eis combatente No 11
Do Niassa até Porto Amélia, Cabo Delgado.
Um aquartelamento bom, com umas instalações mais ou menos, um ambiente da vida civil, entrada e saida sem farda, para o caso em Porto Amélia um pré fabricado em muito bom estado. Não tivemos muito tempo para nos gozar dele, em três meses que se esteve em Cabo Delgado.
Fizemos uma operação á costa, na área de Mocímbua da Praia, terreno muito pantanoso e bem difícil.
Desembarcados e reembarcados por uma Fragata.
De volta á base, mais uns dias de praia, para mim, numa das melhores praias de Moçambique, praia parece que nunca mais acaba.
Dias depois, numa manhã.
Nova convocatória alguns camiões Mercedes na parada, destribuição do pessoal pelos camiões e lá vamos nós até Mueda.
Uma estrada bem complicada para colunas automoveis, minas, embuscadas, uma zona muito flagelada pela frelimo, todo aquele que passasse para norte do crusamento da viúva. Digamos na zona mais próxima a Mueda onde se situava a tão celebre curva da morte, onde tantos soldados do exercito perderam a vida.
Não sei se por sorte, vontade própria, vou novamente trazer de volta a “tropa macaca” como eramos conhecidos pela frelimo. Passamos toda esta estrada sem um tiro ou um rebentamento.
Chegados a Mueda, á que levanter um acampamento com tendas de campanha.
Algum descanso.
Um ou dois dias depois, uma operação a norte de Mueda, desta vez fiquei em casa. (No acampamento).
Sei que ouve encontro com a frelimo, que ouve tiros de parte a parte.
O guia que tinha pertêncido aos Paraquedistas e digo pertencido porque ouve um pequeno precalso para ele.
Um dos membros do destacamento que se apercebeu e no encontro com a Frelimo, o guia tentou fugir. O Fuzileiro/Eletrecista (Manuel Antonio Galito de Almeida, Mar Fze 266/68) não pensou duas vezes e com uma rajada de G3 o guia foi ao chão, não morreu desta, para sorte dele.
Teve uma operação cirurgica de emergencia em Mueda para reparar os intestinos que tinham ficado muito danificados.
Duas semanas neste acampamento. De novo de volta, nova coluna de volta a Porto Amélia, por poucos dias.
Nova coluna de mercedes até ao lago N’gurí.
Passando novamente pelo cruzamento da viúva e em vêz de seguir em frente a caminho de Mueda, viramos á direita para Montepuez,( base dos Comandos ) mas só de passagem.
Com homens á frente a picar a picada para o caso de poder haver minas.
Foi uma progressão de caracol.
Primeiro a segurança do pessoal e viaturas.
Depois de Montepuez, passagem por e sobre uma ponte que só tinha passadeiras para as rodas dos camiões, mas lá fômos até ao lago que já não estava muito longe.
Formar acampamento, montagem de barracas, organizar e começar o reconhecimento.
Canoas apreendidas e empilhadas junto ao nosso acampamento.
No dia a seguir a termos tomado a base do lago N’gurí, o destacamento saiu para dar uma volta e ver se encontrava mais frelimos. Na base ficaram 3 ou 4 Fuzos e o pelotão do exército. Uma hora + - depois de terem saido começámos a ser flagelados por morteiros e algumas rajadas. Os Fuzos que tinham ficado estavam todos com desinteria e como estávamos sempre com necessidade de aliviar a tripa fomos para o buraco onde estava o morteiro porque ficava mais perto do mato que circundava a base. Enquanto a malta do exército andava sem saber o que fazer reagimos à morteirada aos disparos deles e passados uns minutos (gastámos uma caixa de granadas) deixaram de se ouvir os tiros deles. Quando o destacamento voltou eu já tinha comunicado com o Carlos a explicar o sucedido e o DFE circundou a base para os apanhar pelas costas mas a unica coisa que encontrou foram vestigios de sangue no local e continuaram a nomadização.
Incurções ao mato de dois e três dias, mais algumas escaramuças, nada de maior.
Em conjunto com o Exercito nas saídas para a estrada.
Numa destas saídas há uma Berliett que na picada rebenta uma mina e um Furriel do Exercito ferido, ouve também um ou dois Fuzileiros com umas escoriações, mas nada de grave.
Estivemos nesta área mais ou menos um mês.
Depois disto o regreço a Porto Amélia, novamente por pouco tempo.
Um aquartelamento bom, com umas instalações mais ou menos, um ambiente da vida civil, entrada e saida sem farda, para o caso em Porto Amélia um pré fabricado em muito bom estado. Não tivemos muito tempo para nos gozar dele, em três meses que se esteve em Cabo Delgado.
Fizemos uma operação á costa, na área de Mocímbua da Praia, terreno muito pantanoso e bem difícil.
Desembarcados e reembarcados por uma Fragata.
De volta á base, mais uns dias de praia, para mim, numa das melhores praias de Moçambique, praia parece que nunca mais acaba.
Dias depois, numa manhã.
Nova convocatória alguns camiões Mercedes na parada, destribuição do pessoal pelos camiões e lá vamos nós até Mueda.
Uma estrada bem complicada para colunas automoveis, minas, embuscadas, uma zona muito flagelada pela frelimo, todo aquele que passasse para norte do crusamento da viúva. Digamos na zona mais próxima a Mueda onde se situava a tão celebre curva da morte, onde tantos soldados do exercito perderam a vida.
Não sei se por sorte, vontade própria, vou novamente trazer de volta a “tropa macaca” como eramos conhecidos pela frelimo. Passamos toda esta estrada sem um tiro ou um rebentamento.
Chegados a Mueda, á que levanter um acampamento com tendas de campanha.
Algum descanso.
Um ou dois dias depois, uma operação a norte de Mueda, desta vez fiquei em casa. (No acampamento).
Sei que ouve encontro com a frelimo, que ouve tiros de parte a parte.
O guia que tinha pertêncido aos Paraquedistas e digo pertencido porque ouve um pequeno precalso para ele.
Um dos membros do destacamento que se apercebeu e no encontro com a Frelimo, o guia tentou fugir. O Fuzileiro/Eletrecista (Manuel Antonio Galito de Almeida, Mar Fze 266/68) não pensou duas vezes e com uma rajada de G3 o guia foi ao chão, não morreu desta, para sorte dele.
Teve uma operação cirurgica de emergencia em Mueda para reparar os intestinos que tinham ficado muito danificados.
Duas semanas neste acampamento. De novo de volta, nova coluna de volta a Porto Amélia, por poucos dias.
Nova coluna de mercedes até ao lago N’gurí.
Passando novamente pelo cruzamento da viúva e em vêz de seguir em frente a caminho de Mueda, viramos á direita para Montepuez,( base dos Comandos ) mas só de passagem.
Com homens á frente a picar a picada para o caso de poder haver minas.
Foi uma progressão de caracol.
Primeiro a segurança do pessoal e viaturas.
Depois de Montepuez, passagem por e sobre uma ponte que só tinha passadeiras para as rodas dos camiões, mas lá fômos até ao lago que já não estava muito longe.
Formar acampamento, montagem de barracas, organizar e começar o reconhecimento.
Canoas apreendidas e empilhadas junto ao nosso acampamento.
No dia a seguir a termos tomado a base do lago N’gurí, o destacamento saiu para dar uma volta e ver se encontrava mais frelimos. Na base ficaram 3 ou 4 Fuzos e o pelotão do exército. Uma hora + - depois de terem saido começámos a ser flagelados por morteiros e algumas rajadas. Os Fuzos que tinham ficado estavam todos com desinteria e como estávamos sempre com necessidade de aliviar a tripa fomos para o buraco onde estava o morteiro porque ficava mais perto do mato que circundava a base. Enquanto a malta do exército andava sem saber o que fazer reagimos à morteirada aos disparos deles e passados uns minutos (gastámos uma caixa de granadas) deixaram de se ouvir os tiros deles. Quando o destacamento voltou eu já tinha comunicado com o Carlos a explicar o sucedido e o DFE circundou a base para os apanhar pelas costas mas a unica coisa que encontrou foram vestigios de sangue no local e continuaram a nomadização.
Incurções ao mato de dois e três dias, mais algumas escaramuças, nada de maior.
Em conjunto com o Exercito nas saídas para a estrada.
Numa destas saídas há uma Berliett que na picada rebenta uma mina e um Furriel do Exercito ferido, ouve também um ou dois Fuzileiros com umas escoriações, mas nada de grave.
Estivemos nesta área mais ou menos um mês.
Depois disto o regreço a Porto Amélia, novamente por pouco tempo.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
As memorias de um eis combatente No 10
Mais algumas operaões, mais umas escaramuças, tiros de cá, tiros de lá.
Não tão bém como a guerra do nosso saudoso Raul Solnado.
Aqui a guerra era mesmo a valer.
Neste episódio vou tentar relatar mais em detalhe o que já foi escrito por camaradas meus. Que vivemos em conjunto esta mesma guerra, pertencentes á mesma unidade.
Para esta operação fomos convocados 60 homens, incluindo, 2 oficiais, 3 sargentos e 55 praças.
Começando pelo comandante, que numa operação desta envergadura nunca ficava em casa.
Homem destemido, qual a confiança que ele tinha no seu homens, sempre na frente. A única arma que ele geralmente carregava em operações era uma pistola Walter.
Agora o começo da narrativa da tão celebre operação "Montelima". 26/2/70
O ataque á base de Vila Cabral. A base principal. A base de comando da Frelimo na província do Niassa.
Caía a tarde e já todos sabiamos quem ia sair nessa noite.
Detribuição de rações de combate, tudo pronto para o embarque nas lanchas L.Fs.
Saimos já de noite, rumo ao sul, um pouco mais de meio caminho entre o Cobué e Metangula.
Desembarque em Zebro III, dois, três ou quatro, não me lembro.
De noite leva sempre mais tempo este genero de desembarque. Por motivo de segurança as lanchas ficavam longe da margem.
Desta vez saíamos com um novo guia.
Este tinha-se entregue ao Exercito dias antes, no norte da província junto a fronteira da Tanzania.
Todos em terra depois do desembarque. Vamos andar, temos muitos quilometros pela frente.
Andamos toda essa noite, todo o dia seguinte, parando só por uns minutos para comer.
Ao cair da segunda noite parou-se para descançar um pouco, não muito para não arrefecer.
Nova caminhada.
Cerca da 01:30 da manhã desce-se uma encosta, entramos dentro de um rio, com água quase pela cintura.
Passa palavra, fazer o menos barulho possível.
Cerca de meia hora a caminhar na água até que veio ordem para parar.
Um pouco mais á frente havia uma machamba (uma horta). Aqui eram cultivados os alimentos para os Frelimos na área.
Os cultivadores e os guardas deles que aqui se encontravam, foram todos presos, sem uma palavra ou algum som.
Até aqui tudo bem.
Para sair do rio era utilizada uma arvore velha e seca que estava encostada na vertente do rio como que servindo de escada.
Seguindo um trilho que era usado por eles, através dos montes, lá fomos progredindo pelo mato.
Mais á frente havendo conhecimento pelo guia de que havia um sentinela, desviamo-nos do trilho e aqui perdemos muito tempo para contornar este obstáculo, tempo esse que nos fez muita falta mais tarde, mas lá fomos andando.
Mais adiante algum tempo depois começavam a aparecer os primeiros ráios da aurora.
“O amanhecer”.
Já próximo do alvo é formado um pequeno acampamento com o pessoal capturado, com alguns nossos de guarda.
Teria tudo sido tão diferente e tão mais facíl se chegaramos aqui meia hora mais cedo, esse o tempo que perdemos a contornar o sentinela.
Palavra para avançar pela direita do trilho que tinhamos seguido. No lado esquerdo estava armadilhado.
Não há tempo para lamentações, neste ponto impossível voltar para traz. Há que avançar.
Eram 05:35 ouviram-se vozes no mato, já se viam algumas palhotas, cheirava a fumo. Quero dizer, os cozinheiros estavam já a pé para fazer a comida para os Frelimos.
Com o pessoal já todo alinhado ao longo do arvoredo a alguns metros das palhotas, muita tenção, ouvesse uma primeira rajada um som bem conhecido por nós, por ser da nossa MG42 uma metrelhdora ligeira.
Logo a seguir tiros de ambos os lados, mas que coisa mais infernal.
Há um Frelimo por detraz de uma arvore que faz uma rajada de AK47. Dois Fuzileiros que caem, um morto, meu saudoso e pessoal amigo (José Serpa da Rosa Mar FZE 1356/67) que tinha vindo até nós oriundo dos Açores, e um frido. Neste momento não tenho a certeza, não vou mencionar nomes, espero que me ajudem.
Por informações chegadas até nós depois desta operação, estavamos muito aquém de comparar o nosso numero com o numero do inimigo, eramos, bem menos.
Por aquilo que nos foi comunicado por frelimos que se entregaram ao Exercito depois desta operação, tinham morrido 58 neste ataque.
Não nos foi dito qual o numero de feridos que eles tiveram. Foi capturado enorme quantidade de documentos, fardamento e equipamento.
Foi abatido o secretario da base central Dustão Paulo Candeia, ferido o chefe de material, Feridos não identeficados, capturado Henrique Samuel Catamaca perito minas e armadilhas.
Há que destruir o mais possível no menor tempo e sair daquí muito depressinha. Tinhamos que carregar com o nosso camarada morto, o ferido com uma bala alojada nas costas lá se foi aguentando que nem um grande HERÓI.
Num caso destes é bem mais difícil caminhar, revezando os carregadores da maca de dez em dez ou de quinze em quinze minutos e calhava a todos, por ser muito dificil atravez do mato.
Mais ou menos uma hora depois faz-se uma paragem para descansar e pedir a evaquação. O Rádio Telegrafista Mar C FZE Carlos Guilherme dos Santos, entra em contacto com a base. E são despachados um helicoptro e um avião de proteção T6.
Pelas 08:00 começamos a ouvir o avião bem longe ainda. O Telegrafista tenta entrar em contacto uma, duas, três vezes mas sem sucesso. Cada vez que dava as coordenadas aos voadores perecia mais se afastarem. O comandante chega á conclusão de haver outro rádio na área a chamar por eles. Muito provavelmente os frelimos.
Está tudo calmo.
Para tentar mais rede o Telegrafista sobe a uma pequena árvore e tenta estender uma antenna para melhor captação de rádio, há uma rajada de AK47, ele salta para o chão com folhas da ávore a cair-lhe em cima.
Voltamos a andar sempre, com tiros disparados á nossa volta e não muito longe, lá vamos tambem dandos uns tiros de vez enquanto para mostrar resistência da nossa parte.
Sempre a andar.
Cerca das 16:00 finalmente os voadores vêem na nossa direcção, aqui tudo se modifica para nosso bem, neste caso para bem melhor.
Feita a evacuação no planalto em que nos encontravamos, não sem de um arvoredo próximo ainda haver uma rajada ao heli.
Soubemos que na chegada a Metangula o ferido, pelo seu pé saiu do heli, entra num jeep que o leva até a enfermaria da Marinha, neste momento e quando se dirige para entrar na enfermaria pelo seu pé, aqui sim acabaram-se-lhe as forças e vai para o chão, depois daqui nada mais soubemos dele, não voltou para nós, soubemos ter sido evacuado para Portugal.
Nós agora estamos com mais mobilidade, mais poder de acção e com mais liberdade e rapidez.
Saindo do planalto o mais rápido possível pela encosta descendo para a planice, com muitos tiros nas nossas costas, não sem uma vez por outra responder-mos aos disparos, há que andar o máximo possível.
Já bem de noite finalmente o stop, já sem sentir não só as pernas mas tambem todo o resto do corpo.
Algumas horas de son depois, ao amanhecer, lá vamos nós com destino a Nova Coimbra,
não sem passar pelo Lunho um acampameento de que todos devem ter ouvido falar e que ficou famoso, uma eis base do Exercito abandonada por muito ter sido flagelada pela Frelimo, não ouve outra alternativa senão abandona-la.
Mais uns bons quilometros até á entrada em Nova Coimbra muito tristes. Com abraços dos residentes do Exercito pelo feito de que nós tinhamos sido protagonistas.
Com o armamento capturado, 2 AK47, 1 espingarda simonov, 1 carabina steyer. Não só na machamba mas tambem na base e todos aquqeles elementos que não pertenciam aos Fuzileiros e que nos acompanhavam, 3 homens, 8 mulheres e 6 criancas.
Aqui posso salientar que toda esta operação foi começada, efectuada e concluida só pelo Destacamento de Fuzileiros Especiais No 9, sem qualquer apoio de outras forças, quer do Exercito ou da força Aerea.
De Metangula fomos até ao Cobué para um bom descanso, poderemos dizer que esta operação foi um êxito, mas teria sido um êsito muito maior ainda se todo o pessoal tivesse regressado.
Foi uma das mais duras de todas as operações por nós efectuadas nos vinte e sete meses que estivemos no norte de Moçambique. Daqui com um bom descanso, creio de duas semanas, e prontos para novas aventuras.
Não tão bém como a guerra do nosso saudoso Raul Solnado.
Aqui a guerra era mesmo a valer.
Neste episódio vou tentar relatar mais em detalhe o que já foi escrito por camaradas meus. Que vivemos em conjunto esta mesma guerra, pertencentes á mesma unidade.
Para esta operação fomos convocados 60 homens, incluindo, 2 oficiais, 3 sargentos e 55 praças.
Começando pelo comandante, que numa operação desta envergadura nunca ficava em casa.
Homem destemido, qual a confiança que ele tinha no seu homens, sempre na frente. A única arma que ele geralmente carregava em operações era uma pistola Walter.
Agora o começo da narrativa da tão celebre operação "Montelima". 26/2/70
O ataque á base de Vila Cabral. A base principal. A base de comando da Frelimo na província do Niassa.
Caía a tarde e já todos sabiamos quem ia sair nessa noite.
Detribuição de rações de combate, tudo pronto para o embarque nas lanchas L.Fs.
Saimos já de noite, rumo ao sul, um pouco mais de meio caminho entre o Cobué e Metangula.
Desembarque em Zebro III, dois, três ou quatro, não me lembro.
De noite leva sempre mais tempo este genero de desembarque. Por motivo de segurança as lanchas ficavam longe da margem.
Desta vez saíamos com um novo guia.
Este tinha-se entregue ao Exercito dias antes, no norte da província junto a fronteira da Tanzania.
Todos em terra depois do desembarque. Vamos andar, temos muitos quilometros pela frente.
Andamos toda essa noite, todo o dia seguinte, parando só por uns minutos para comer.
Ao cair da segunda noite parou-se para descançar um pouco, não muito para não arrefecer.
Nova caminhada.
Cerca da 01:30 da manhã desce-se uma encosta, entramos dentro de um rio, com água quase pela cintura.
Passa palavra, fazer o menos barulho possível.
Cerca de meia hora a caminhar na água até que veio ordem para parar.
Um pouco mais á frente havia uma machamba (uma horta). Aqui eram cultivados os alimentos para os Frelimos na área.
Os cultivadores e os guardas deles que aqui se encontravam, foram todos presos, sem uma palavra ou algum som.
Até aqui tudo bem.
Para sair do rio era utilizada uma arvore velha e seca que estava encostada na vertente do rio como que servindo de escada.
Seguindo um trilho que era usado por eles, através dos montes, lá fomos progredindo pelo mato.
Mais á frente havendo conhecimento pelo guia de que havia um sentinela, desviamo-nos do trilho e aqui perdemos muito tempo para contornar este obstáculo, tempo esse que nos fez muita falta mais tarde, mas lá fomos andando.
Mais adiante algum tempo depois começavam a aparecer os primeiros ráios da aurora.
“O amanhecer”.
Já próximo do alvo é formado um pequeno acampamento com o pessoal capturado, com alguns nossos de guarda.
Teria tudo sido tão diferente e tão mais facíl se chegaramos aqui meia hora mais cedo, esse o tempo que perdemos a contornar o sentinela.
Palavra para avançar pela direita do trilho que tinhamos seguido. No lado esquerdo estava armadilhado.
Não há tempo para lamentações, neste ponto impossível voltar para traz. Há que avançar.
Eram 05:35 ouviram-se vozes no mato, já se viam algumas palhotas, cheirava a fumo. Quero dizer, os cozinheiros estavam já a pé para fazer a comida para os Frelimos.
Com o pessoal já todo alinhado ao longo do arvoredo a alguns metros das palhotas, muita tenção, ouvesse uma primeira rajada um som bem conhecido por nós, por ser da nossa MG42 uma metrelhdora ligeira.
Logo a seguir tiros de ambos os lados, mas que coisa mais infernal.
Há um Frelimo por detraz de uma arvore que faz uma rajada de AK47. Dois Fuzileiros que caem, um morto, meu saudoso e pessoal amigo (José Serpa da Rosa Mar FZE 1356/67) que tinha vindo até nós oriundo dos Açores, e um frido. Neste momento não tenho a certeza, não vou mencionar nomes, espero que me ajudem.
Por informações chegadas até nós depois desta operação, estavamos muito aquém de comparar o nosso numero com o numero do inimigo, eramos, bem menos.
Por aquilo que nos foi comunicado por frelimos que se entregaram ao Exercito depois desta operação, tinham morrido 58 neste ataque.
Não nos foi dito qual o numero de feridos que eles tiveram. Foi capturado enorme quantidade de documentos, fardamento e equipamento.
Foi abatido o secretario da base central Dustão Paulo Candeia, ferido o chefe de material, Feridos não identeficados, capturado Henrique Samuel Catamaca perito minas e armadilhas.
Há que destruir o mais possível no menor tempo e sair daquí muito depressinha. Tinhamos que carregar com o nosso camarada morto, o ferido com uma bala alojada nas costas lá se foi aguentando que nem um grande HERÓI.
Num caso destes é bem mais difícil caminhar, revezando os carregadores da maca de dez em dez ou de quinze em quinze minutos e calhava a todos, por ser muito dificil atravez do mato.
Mais ou menos uma hora depois faz-se uma paragem para descansar e pedir a evaquação. O Rádio Telegrafista Mar C FZE Carlos Guilherme dos Santos, entra em contacto com a base. E são despachados um helicoptro e um avião de proteção T6.
Pelas 08:00 começamos a ouvir o avião bem longe ainda. O Telegrafista tenta entrar em contacto uma, duas, três vezes mas sem sucesso. Cada vez que dava as coordenadas aos voadores perecia mais se afastarem. O comandante chega á conclusão de haver outro rádio na área a chamar por eles. Muito provavelmente os frelimos.
Está tudo calmo.
Para tentar mais rede o Telegrafista sobe a uma pequena árvore e tenta estender uma antenna para melhor captação de rádio, há uma rajada de AK47, ele salta para o chão com folhas da ávore a cair-lhe em cima.
Voltamos a andar sempre, com tiros disparados á nossa volta e não muito longe, lá vamos tambem dandos uns tiros de vez enquanto para mostrar resistência da nossa parte.
Sempre a andar.
Cerca das 16:00 finalmente os voadores vêem na nossa direcção, aqui tudo se modifica para nosso bem, neste caso para bem melhor.
Feita a evacuação no planalto em que nos encontravamos, não sem de um arvoredo próximo ainda haver uma rajada ao heli.
Soubemos que na chegada a Metangula o ferido, pelo seu pé saiu do heli, entra num jeep que o leva até a enfermaria da Marinha, neste momento e quando se dirige para entrar na enfermaria pelo seu pé, aqui sim acabaram-se-lhe as forças e vai para o chão, depois daqui nada mais soubemos dele, não voltou para nós, soubemos ter sido evacuado para Portugal.
Nós agora estamos com mais mobilidade, mais poder de acção e com mais liberdade e rapidez.
Saindo do planalto o mais rápido possível pela encosta descendo para a planice, com muitos tiros nas nossas costas, não sem uma vez por outra responder-mos aos disparos, há que andar o máximo possível.
Já bem de noite finalmente o stop, já sem sentir não só as pernas mas tambem todo o resto do corpo.
Algumas horas de son depois, ao amanhecer, lá vamos nós com destino a Nova Coimbra,
não sem passar pelo Lunho um acampameento de que todos devem ter ouvido falar e que ficou famoso, uma eis base do Exercito abandonada por muito ter sido flagelada pela Frelimo, não ouve outra alternativa senão abandona-la.
Mais uns bons quilometros até á entrada em Nova Coimbra muito tristes. Com abraços dos residentes do Exercito pelo feito de que nós tinhamos sido protagonistas.
Com o armamento capturado, 2 AK47, 1 espingarda simonov, 1 carabina steyer. Não só na machamba mas tambem na base e todos aquqeles elementos que não pertenciam aos Fuzileiros e que nos acompanhavam, 3 homens, 8 mulheres e 6 criancas.
Aqui posso salientar que toda esta operação foi começada, efectuada e concluida só pelo Destacamento de Fuzileiros Especiais No 9, sem qualquer apoio de outras forças, quer do Exercito ou da força Aerea.
De Metangula fomos até ao Cobué para um bom descanso, poderemos dizer que esta operação foi um êxito, mas teria sido um êsito muito maior ainda se todo o pessoal tivesse regressado.
Foi uma das mais duras de todas as operações por nós efectuadas nos vinte e sete meses que estivemos no norte de Moçambique. Daqui com um bom descanso, creio de duas semanas, e prontos para novas aventuras.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
As memorias de um eis combatente Nº 9
De volta ao Cobué e depois de mais algumas aventuras no regresso, carregado com duas violas acústicas compradas em Lourenço Marques, já estavam destinadas mesmo antes do início das ferias, uma que seria para mim e a outra seria para o Luis Filipe Barros e Silva.
Depois de muitas tentativas, depois de alguns acordes, pela minha parte era quase como por uma galinha a tocar musica, mesmo assim a ainda me acompanhou durante alguns anos mas era só como uma boa companhia para mim.
O Luis tinha mais paciência que eu e enquanto na tropa lá conseguia tocar alguma coisa, não sei se no futuro conseguio mais, ainda não falamos nisso.
Agora vos vou contar as lembranças de uma das operações em que estive envolvido, (assim como se lembraram todos os outros envolvidos) minha equipe e devido por pertencer a carregar com a metrelhadora que geralmente era carregada pelo (Albino) por outras palavras, o João José Garrido Rossa, era o que tinha mais cabedal na equipa e iamos na frente.
Depois de uma noite a andar e com pouco descanso.
Logo de manhã e pela fresquinha, isto no planalto a norte de Nova Coimbra, junto a um trilho bastante batido, onde se conseguia ver que era bastante frequentado por passantes, o Comandante dá ordem de paragem, colocar o pessoal ao longo do trilho, camuflar o mais possivel.
Esperar.!!!!
Eu lembro logo que caí no chão adormeci.
Sei que fui acordado por um dos meus camaradas não muito tempo depois.
Dois fulanos que se aproximavam.
Ordem para ninguem disparar, deixar chegar até ao fim da nossa linha de embuscada e aqui sim o primeiro tiro a ser disparado, seria pelo Cabo FZE Sousa que estava junto com a minha equipe mesmo no fim da linha, isto para o caso de haver outros fulanos mais atrazados.
Desta não aconteceu haver mais, eram só estes dois.
Ouve o primeiro disparo, depois uma rajada de metrelhadora os dois fulanos começam a correr para o arvoredo um deles não deu para correr muito, caiu a não muitos metros do sítio onde foi atingido, sem nenhuma esperança de vida.
O Comandante dá ordem ao ordenança do terceiro Oficial para acabar com ele.
Alguns insultos ditos pelo futuro defunto em pleno Portugues. Uma G3 apontada á cabeça um disparo e passou mesmo a defunto, soube-se pelo guia este ser o 2nd comandante das bases do Niassa.
Entretanto o outro que era oficial da tropa da Tanzania e depois de uma correria louca, mais tiros de G3, um de morteiro ainda conseguio passar ate ao fim do planalto e mandar-se pela ribanceira. Soube-mos depois que também tinha morrido.
Mais nova embuscada agora na estrema do planalto.
Não muito tempo passado e vindo do sentido oposto e provavelmente vindo da base que neste caso, estaria próxima, aparece um grupo para fiscalizar o que tinha acontecido. Neste estavamos um pouco longe.
Mesmo assim ainda ouve alguns disparos mais uma correria atrás deles.
Estes tiveram mais sorte, conseguiram fugir.
Daqui foi só sair do planalto, descer pela encosta não sem ouvir alguns disparos do sitio onde tinhamos estado antes.
Começa a cair a noite e é mais uma noite a dormir no chão, bem não era assim tão mau para quem gostasse de fazer campismo, não só quando se está cansado, dorme-se em qualquer lado.
Na manhã seguinte, rumo a Nova Coimbra, onde chegamos ainda cedo.
Tivemos uma optima recepção pela tropa estacionada ali. Eles tinham ouvido a festa do dia anterior.
Nesta operação conseguimos levar connosco algumas armas que tinhamos capturado. 2 pistolas e uma AK47.
De Nova Coimbra até Metangula não era muito longe mas depois de todo este tempo no mato e como a operação já tinha terminado, fomos em camiões, creio que da marinha que tinham ido de Metangula.
Em Metangula embarque nas LF’s e mais duas horas e meia deitados no chão e a dormir claro, até ao Cobué, para mais alguns dias de descanso e até a próxima saída em operação.
Depois de muitas tentativas, depois de alguns acordes, pela minha parte era quase como por uma galinha a tocar musica, mesmo assim a ainda me acompanhou durante alguns anos mas era só como uma boa companhia para mim.
O Luis tinha mais paciência que eu e enquanto na tropa lá conseguia tocar alguma coisa, não sei se no futuro conseguio mais, ainda não falamos nisso.
Agora vos vou contar as lembranças de uma das operações em que estive envolvido, (assim como se lembraram todos os outros envolvidos) minha equipe e devido por pertencer a carregar com a metrelhadora que geralmente era carregada pelo (Albino) por outras palavras, o João José Garrido Rossa, era o que tinha mais cabedal na equipa e iamos na frente.
Depois de uma noite a andar e com pouco descanso.
Logo de manhã e pela fresquinha, isto no planalto a norte de Nova Coimbra, junto a um trilho bastante batido, onde se conseguia ver que era bastante frequentado por passantes, o Comandante dá ordem de paragem, colocar o pessoal ao longo do trilho, camuflar o mais possivel.
Esperar.!!!!
Eu lembro logo que caí no chão adormeci.
Sei que fui acordado por um dos meus camaradas não muito tempo depois.
Dois fulanos que se aproximavam.
Ordem para ninguem disparar, deixar chegar até ao fim da nossa linha de embuscada e aqui sim o primeiro tiro a ser disparado, seria pelo Cabo FZE Sousa que estava junto com a minha equipe mesmo no fim da linha, isto para o caso de haver outros fulanos mais atrazados.
Desta não aconteceu haver mais, eram só estes dois.
Ouve o primeiro disparo, depois uma rajada de metrelhadora os dois fulanos começam a correr para o arvoredo um deles não deu para correr muito, caiu a não muitos metros do sítio onde foi atingido, sem nenhuma esperança de vida.
O Comandante dá ordem ao ordenança do terceiro Oficial para acabar com ele.
Alguns insultos ditos pelo futuro defunto em pleno Portugues. Uma G3 apontada á cabeça um disparo e passou mesmo a defunto, soube-se pelo guia este ser o 2nd comandante das bases do Niassa.
Entretanto o outro que era oficial da tropa da Tanzania e depois de uma correria louca, mais tiros de G3, um de morteiro ainda conseguio passar ate ao fim do planalto e mandar-se pela ribanceira. Soube-mos depois que também tinha morrido.
Mais nova embuscada agora na estrema do planalto.
Não muito tempo passado e vindo do sentido oposto e provavelmente vindo da base que neste caso, estaria próxima, aparece um grupo para fiscalizar o que tinha acontecido. Neste estavamos um pouco longe.
Mesmo assim ainda ouve alguns disparos mais uma correria atrás deles.
Estes tiveram mais sorte, conseguiram fugir.
Daqui foi só sair do planalto, descer pela encosta não sem ouvir alguns disparos do sitio onde tinhamos estado antes.
Começa a cair a noite e é mais uma noite a dormir no chão, bem não era assim tão mau para quem gostasse de fazer campismo, não só quando se está cansado, dorme-se em qualquer lado.
Na manhã seguinte, rumo a Nova Coimbra, onde chegamos ainda cedo.
Tivemos uma optima recepção pela tropa estacionada ali. Eles tinham ouvido a festa do dia anterior.
Nesta operação conseguimos levar connosco algumas armas que tinhamos capturado. 2 pistolas e uma AK47.
De Nova Coimbra até Metangula não era muito longe mas depois de todo este tempo no mato e como a operação já tinha terminado, fomos em camiões, creio que da marinha que tinham ido de Metangula.
Em Metangula embarque nas LF’s e mais duas horas e meia deitados no chão e a dormir claro, até ao Cobué, para mais alguns dias de descanso e até a próxima saída em operação.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
As memorias de um eis combatente No 8
Na nossa chegada constatamos que o nosso aquartelamento tinha sido uma missão católica, com uma estrutura ainda em muito boas condições, com uma formação em “u”, albergava na parte norte, parte da Companhia de Fuzileiros Navais a outra parte estava em Metangula, nós o Destacamento de Fuzileiros Especiais 9 na parte Sul assim como a messe e dormitório dos oficíais que ficava de frente para o Lago, depois e na parte centro era o refeitório, o bar que era gerido pelo Manuel Pereira Alves Martins (mais conhecido pelo Ezzard), um ginásio e um estúdio de fotografia, que era operado por um membro do destacamento. De momento não lembro quem era, também na parte sul mas ja fora do edifício onde havia uma pequena construção onde era a cozinha e um forno a lenha .
Depois a sul do aquartelamento uma Igreja em que já só as paredes se mantinham de pé, mais para sul ainda o aldeamento Africano.
Por detrás do edifício e para o lado do interior um pequeno campo de futebol em terra batida, aqui se realizaram bastantes jogos. Em cada canto do edifício a poucos metros uma torre que servia para vigia ou sentinela.
Em todo o tempo que permanecemos no Cobué e em grupos maiores ou mais pequenos, todas as semanas saiamos para o mato em patrulhamento ou como nós chamavamos, em operação.
Saidas do aquartelamento sempre de noite, embarcados nas LF’s e depois desembarcados em botes de borracha, o ”Zebro III”, em lugares estratégicos para começar o patrulhamento, geralmente de três ou quatro dias. Um guia Africano assim como alguns carregadores também Africanos para carregar o excesso dos Homens que levavam as metrelhadoras, geralmente duas, uma a frente e outra atrás na fila de progressão, o morteiro de 60 mm e ainda o lança roquetes, estavamos mais ou menos artilhados para o que desse e viesse.
O Comandante 1º Tenente Fuzileiro, Pedro Salgado Batista Coelho e no sentido de progreção no mato, ele sempre na frente, em segundo ou terceiro na fila indiana, um homem que conhecia a sua guarnição, os seus pupilos que conhecia cada um.
Operações e mais operações, escaramuças, emboscadas ataques, lá fomos sobrevivendo.
Depois de algum tempo no Cobué passo um mês de férias com destino a Lourenço Marques.
Até Metangula de lancha, de Metangula até Vila Cabral de Dakota e aqui um pouco complicado porque um pequeno avião carregado de mercadoria e pessoal, foi difícil ganhar velocidade e começar a subir, depois de ter saido da pista e já por cima da água não havia o momento de ele começar a subir era como uma eternidade, lá escapamos mais desta.
Vila Cabral, Lourenço Marques na Deta linhas aéreas de Moçambique, aqui um avião maior e com mais conforto com alguma comida e bebida.
Umas férias boas, no sentido da palavra, poque não seria mesmo em Lourenço Marques, mas sim no interior a cerca de 260 Kms, mesmo assim não foi mau de todo.
Uma Vila com o nome Manjacaze, no Distrito do Xai Xai.
Depois a sul do aquartelamento uma Igreja em que já só as paredes se mantinham de pé, mais para sul ainda o aldeamento Africano.
Por detrás do edifício e para o lado do interior um pequeno campo de futebol em terra batida, aqui se realizaram bastantes jogos. Em cada canto do edifício a poucos metros uma torre que servia para vigia ou sentinela.
Em todo o tempo que permanecemos no Cobué e em grupos maiores ou mais pequenos, todas as semanas saiamos para o mato em patrulhamento ou como nós chamavamos, em operação.
Saidas do aquartelamento sempre de noite, embarcados nas LF’s e depois desembarcados em botes de borracha, o ”Zebro III”, em lugares estratégicos para começar o patrulhamento, geralmente de três ou quatro dias. Um guia Africano assim como alguns carregadores também Africanos para carregar o excesso dos Homens que levavam as metrelhadoras, geralmente duas, uma a frente e outra atrás na fila de progressão, o morteiro de 60 mm e ainda o lança roquetes, estavamos mais ou menos artilhados para o que desse e viesse.
O Comandante 1º Tenente Fuzileiro, Pedro Salgado Batista Coelho e no sentido de progreção no mato, ele sempre na frente, em segundo ou terceiro na fila indiana, um homem que conhecia a sua guarnição, os seus pupilos que conhecia cada um.
Operações e mais operações, escaramuças, emboscadas ataques, lá fomos sobrevivendo.
Depois de algum tempo no Cobué passo um mês de férias com destino a Lourenço Marques.
Até Metangula de lancha, de Metangula até Vila Cabral de Dakota e aqui um pouco complicado porque um pequeno avião carregado de mercadoria e pessoal, foi difícil ganhar velocidade e começar a subir, depois de ter saido da pista e já por cima da água não havia o momento de ele começar a subir era como uma eternidade, lá escapamos mais desta.
Vila Cabral, Lourenço Marques na Deta linhas aéreas de Moçambique, aqui um avião maior e com mais conforto com alguma comida e bebida.
Umas férias boas, no sentido da palavra, poque não seria mesmo em Lourenço Marques, mas sim no interior a cerca de 260 Kms, mesmo assim não foi mau de todo.
Uma Vila com o nome Manjacaze, no Distrito do Xai Xai.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
As memorias de um eis combatente No 7
Metangula.
O Paraíso do Niassa.
Metangula! aqui era a base da Marinha no lago Niassa, com uma guarnição não muito grande, parte de uma companhia de Fuzileiros Navais, que deveriam ser cerca de 70 homens, o pessoal que pertencia ao commando da base e nós o destacamento de Fuzileiros 9.
A base se sitúa numa peninsula no lago, com aéroporto, em terra batida, muito curto, no sítio em que se situava não havia espaço para mais, servia para pequenos aviões, assim como o Dakota que era um avião de transporte de carga e pessoal da força aérea.
Nos primeiros dias foi para por tudo em ordem, dividir o destacamento em equipas.
A mim como chefe de equipa e como não tinha qualquer preferêcia ficou o Mar Fze Francisco Lopes Dias Lebre o 67/65 (Frankenstein), agora por antiguidade, eu, João Roque Belo Mateus o 1161/67 (Fogueiro), o João José Garrido Rossa o 1790/67 (Russo ou Albino) o próximo? Não me lembro, aqui preciso que alguém me ajude, por último o Januário José Espadeiro dos Reis o 727/68 (Pequenote).
Não me lembro bem mas deveria-mos ser ao todo umas 14 equipas de 5 homens cada.
A nossa equipa foi condecorada para carregarregar com a MG42 uma metrelhadora ligeira que pesava um pouco mais de 11 Kg e que disparava cerca 1200 balas por minuto, estavamos artelhados.
Destribuiçao de posições por equipas nas casernas, o pessoal começa a abituar-se ao ambiente de Metangula.
Primeiras saidas para o mato, a pé e em redor da base e não só, por agora não mais de dois dias, sempre de olho alerta.
Neste principio foi mais como um treino, mas não sem algum perigo também.
Na parte sul de Metangula e próximo das Mululucas haverá um grande jazigo de ferro, quando se andava pela zona, se via pedaços de ferro ao cimo do solo, uma área muito rica neste minério nunca explorado.
Outras saídas até Nova Coimbra que ficava no vale do rio Lunho.
Lunho mais para o Este interor, onde tinha existido um aquartelamento do Exército que irei falar mais tarde, uma zona muito castigada pelos ataques terroristas.
A norte de Nova Coimbra junto ao planalto e mesmo no planalto, começamos a ter contactos de Guerra.
Uma bela manhã mais ou menos metade do Destacamento é convocado, o aquartelamento do Cobué que ficava a cerca de duas horas e meia de lancha, tinha sido atacado de noite e como o Destacamento No 5, estava no mato em operação, so poucos dos seus membros tinham ficado, fomos até lá para fazer um reconhecimento juntamente com eles, não nos afastando muito do aquartelamento por ordens restritas do commando em Metangula.
Soubemos que uma granada de bazuca tinha rebentado em frente da messe dos oficíais e que também tinha sido utilizado um canhão sem recuo que tinha sido usado na encosta dos montes a norte do aquartelamento do Cobué.
Não me lembro mas creio termos ficado para o dia seguinte, regressando depois a Metangula.
Assim se passaram os primeiros 6 meses de comissão em Metangula.
O Destacamento No 5 foi para Cabo Delgado, mais propriamente com base em Porto Amélia a poucos metros da praia.
Nós o Destacamento No 9 fomos até ao Cobué, onde se encontrava a outra metade da Companhia de Fuzileiros Navais que estava em Metangula, aqui onde iriamos ficar e para mal dos nossos pecados, mais ou menos 13 meses.
Neste momento, posso dizer estávamos realmente preparados mas mesmo assim, não sem uma pequena apreensão até se ouvir o primeiro tiro, quer de um lado ou do outro, nunca se sabia qual era a direcção que a bala levava, a partir daí tudo se tornava mais facíl.
O Cobué neste momento era uma pequena povoação de Africanos, muitos deles que tinham sido resgatados no mato e trazidos para alí.
Anos antes e por aquilo que se falava o Cobué era uma povoação com mais de dez mil abitantes.
Mas isso foram coisas que se passaram antes de nós e que não irei contar.
Neste ponto só vou adiantar que uma Companhia do Exército o Sete de Espadas a que pertenceu o nosso saúdoso ciclista Joaquim Agostinho e juntamente com o Destacamento que lá se encontrava nesse tempo e devido a acidentes que foram acontecendo no aquartelamento a população começou a desaparecer. Uns para as ilhas do Likoma que ficavam não muito longe do Cobué, outros para o mato, la foram desaparecendo ao que a povoação desapareceu completamente.
O Paraíso do Niassa.
Metangula! aqui era a base da Marinha no lago Niassa, com uma guarnição não muito grande, parte de uma companhia de Fuzileiros Navais, que deveriam ser cerca de 70 homens, o pessoal que pertencia ao commando da base e nós o destacamento de Fuzileiros 9.
A base se sitúa numa peninsula no lago, com aéroporto, em terra batida, muito curto, no sítio em que se situava não havia espaço para mais, servia para pequenos aviões, assim como o Dakota que era um avião de transporte de carga e pessoal da força aérea.
Nos primeiros dias foi para por tudo em ordem, dividir o destacamento em equipas.
A mim como chefe de equipa e como não tinha qualquer preferêcia ficou o Mar Fze Francisco Lopes Dias Lebre o 67/65 (Frankenstein), agora por antiguidade, eu, João Roque Belo Mateus o 1161/67 (Fogueiro), o João José Garrido Rossa o 1790/67 (Russo ou Albino) o próximo? Não me lembro, aqui preciso que alguém me ajude, por último o Januário José Espadeiro dos Reis o 727/68 (Pequenote).
Não me lembro bem mas deveria-mos ser ao todo umas 14 equipas de 5 homens cada.
A nossa equipa foi condecorada para carregarregar com a MG42 uma metrelhadora ligeira que pesava um pouco mais de 11 Kg e que disparava cerca 1200 balas por minuto, estavamos artelhados.
Destribuiçao de posições por equipas nas casernas, o pessoal começa a abituar-se ao ambiente de Metangula.
Primeiras saidas para o mato, a pé e em redor da base e não só, por agora não mais de dois dias, sempre de olho alerta.
Neste principio foi mais como um treino, mas não sem algum perigo também.
Na parte sul de Metangula e próximo das Mululucas haverá um grande jazigo de ferro, quando se andava pela zona, se via pedaços de ferro ao cimo do solo, uma área muito rica neste minério nunca explorado.
Outras saídas até Nova Coimbra que ficava no vale do rio Lunho.
Lunho mais para o Este interor, onde tinha existido um aquartelamento do Exército que irei falar mais tarde, uma zona muito castigada pelos ataques terroristas.
A norte de Nova Coimbra junto ao planalto e mesmo no planalto, começamos a ter contactos de Guerra.
Uma bela manhã mais ou menos metade do Destacamento é convocado, o aquartelamento do Cobué que ficava a cerca de duas horas e meia de lancha, tinha sido atacado de noite e como o Destacamento No 5, estava no mato em operação, so poucos dos seus membros tinham ficado, fomos até lá para fazer um reconhecimento juntamente com eles, não nos afastando muito do aquartelamento por ordens restritas do commando em Metangula.
Soubemos que uma granada de bazuca tinha rebentado em frente da messe dos oficíais e que também tinha sido utilizado um canhão sem recuo que tinha sido usado na encosta dos montes a norte do aquartelamento do Cobué.
Não me lembro mas creio termos ficado para o dia seguinte, regressando depois a Metangula.
Assim se passaram os primeiros 6 meses de comissão em Metangula.
O Destacamento No 5 foi para Cabo Delgado, mais propriamente com base em Porto Amélia a poucos metros da praia.
Nós o Destacamento No 9 fomos até ao Cobué, onde se encontrava a outra metade da Companhia de Fuzileiros Navais que estava em Metangula, aqui onde iriamos ficar e para mal dos nossos pecados, mais ou menos 13 meses.
Neste momento, posso dizer estávamos realmente preparados mas mesmo assim, não sem uma pequena apreensão até se ouvir o primeiro tiro, quer de um lado ou do outro, nunca se sabia qual era a direcção que a bala levava, a partir daí tudo se tornava mais facíl.
O Cobué neste momento era uma pequena povoação de Africanos, muitos deles que tinham sido resgatados no mato e trazidos para alí.
Anos antes e por aquilo que se falava o Cobué era uma povoação com mais de dez mil abitantes.
Mas isso foram coisas que se passaram antes de nós e que não irei contar.
Neste ponto só vou adiantar que uma Companhia do Exército o Sete de Espadas a que pertenceu o nosso saúdoso ciclista Joaquim Agostinho e juntamente com o Destacamento que lá se encontrava nesse tempo e devido a acidentes que foram acontecendo no aquartelamento a população começou a desaparecer. Uns para as ilhas do Likoma que ficavam não muito longe do Cobué, outros para o mato, la foram desaparecendo ao que a povoação desapareceu completamente.
sábado, 21 de agosto de 2010
As memorias de um eis combatente No 6
Partida para uma viagem longa e cansativa por não haver nada que fazer, apesar de ser uma viagem comercial.
A primeira paragem foi no Funchal (uma chegada pela fresquinha da manhã), mesmo no cais e a espera de alguem que estivesse interessado numa corrida pela cidade, havia uns taxis bem velhinos mas muito bem estimados, seria como agora um Limousine. Uma cidade bem diferente numa ilha de que pouco tinha ouvido falar antes.
Saímos do barco por umas horas e fomos dar uma volta a pé pela baixa da cidade, pára-se para beber umas cervejas numa esplanada, visitam-se umas quantas lojas para apreciar os artigos artesanais, mais um dedo de conversa, mais umas voltas e vamos de regresso ao barco.
Mais algum tempo para sairmos do porto do Funchal, ora bem, um barco é um pouco diferente de um automóvel, enquanto um automóvel se estaciona e tira do estacionamento em segundos, um barco com este porte, e não era dos maiores, leva muitos minutos, por vezes horas para fazer estas manobras.
Faz-se a largada e a partir daqui é só comer e dormir durante sete dias e sete noites, foi o tempo que nos levou a chegar a S Tomé, só agua e céu e algumas gaivotas, muito poucas, era só o que se via, posso dizer que estava impressionado com tanta água.
Às vezes lá apareciam uns golfinhos, ou uns peixes voadores, tirando isso, água mais água, céu e mais céu, muitas vezes deitados ao sol no convés para passar o tempo.
Em S. Tomé não havia cais, para se ir a terra faziam-nos transportar num pequeno barco e lá fomos explorar o que era a ilha, aqui a pobreza evidenciava-se, o que era bem notável.
Algumas pretas tentando vender peças de artesanato regional, outras a tentar convencer-nos para irmos conhecer a palhota, mas nesta ainda passei, estava a começar a conhecer gente totalmente diferente do que estava habituado e as primeiras impressões não eram as melhores e por enquanto não me queria envolver com elas, talvez um pouco cedo.
Beberam-se algumas bebidas tradicionais e pouco mais, pois havia pouco que ver nesta ilha.
Daqui fomos até Luanda, uma beleza aquela entrada na baia de Luanda é como um sonho que não mais se esquece, qualquer coisa de inédito que só vendo se consegue perceber do que estou falando, aquela marginal vista de longe aqueles coqueiros ao longo da praia, creio nem em fotografia se consegue imaginar. Ficamos também por algum tempo na cidade, deu para visitar e conhecer um pouco.
Próxima paragem o Lobito, depois Moçamedes isto em Angola, estas cidades mais pequenas mas não sem coisas lindas para ver.
Cape Town e Durban na África do Sul, em todas estas cidades saímos por umas horas para visitar. Aqui e armados em turistas e sempre à civil, na África do Sul não poderíamos e por causas de pró formes políticos não devíamos sair fardados, alguns num grupo a que eu pertencia, andando pelas avenidas, na baixa de Cape Town. A certa altura levo um encontrão de um preto e lá se foram uns óculos baratos que levava no bolso de cima do casaco, ele numa fuga rápida sem perseguição.
Nesta viagem houve um membro do destacamento, na altura 2nd Sargento FZE José Francisco Valente Ramos, conheceu uma senhora Sul-africana que viajava creio desde Lisboa no mesmo barco, do qual mais tarde viriam a casar. No momento em que escrevo e por conhecimento, eles encontram-se a viver em Durban na África do Sul.
A próxima paragem Lourenço Marques, chegamos a tardinha o barco atracou ao cais e aqui havia dois casais na muralha a espera do barco, os meus dois irmãos mais velhos que se encontravam em Moçambique desde 1959 e as esposas. Foi uma pequena reunião de família.
Como aqui o barco só iria sair no dia seguinte andaram-me a mostrar a cidade. Em 1969 a cidade era linda aquela avenida da República, depois a continuação da marginal até à Costa do Sol, aqueles coqueiros e pinheiros mansos junto à praia um paisagem muito diferente.
Desta vez jantei com eles e fiquei fora até ao dia seguinte, se bem me lembro, creio termos jantado no restaurante da Costa do Sol.
No dia seguinte o reembarque rumo à Beira.
Tivemos que fazer o reconhecimento obrigatório do Moulin Rouge e todos os outros bares da zona. Era uma atracção turística desta cidade.
Não me lembro quanto tempo ficamos.
Novamente a bordo rumo a Nacala, foi o fim da viagem de barco e à despedida do paquete Angola. Viagem que terminou a 17 de Junho de 1969.
Por ser Junho não se notava muito a diferença na temperatura ambiental como estávamos no hemisfério sul, aqui estaríamos no inverno.
Estivemos um dia e uma noite na base dos Pára-quedistas, alguma convivência, um dedo de conversa, umas histórias de coisas passadas.
18/6/1969 Base aérea de Nacala, num Nor Atlas lá foi todo o pessoal, 80 homens de uma só vez dentro daquele menino, avião um pouco estranho devido a sua configuração.
Vila Cabral, uma viagem que durou cerca de uma hora e pouco, uma cidade pequena situada num planalto no norte de Moçambique para quem não saiba a capital da província do Niassa.
Niassa é um lago que se situa entre Moçambique e o Malawi (e mais a norte de Moçambique, a Tanzânia), lago de onde origina o nome da província, lago esse que irei falar mais daqui para a frente.
Tivemos que pernoitar, uns no aquartelamento da Marinha, outros, já se começavam a desenrascar e pernoitaram fora, assim como eu com a companhia do Arraza, que já conhecia Vila Cabral, pois era a sua segunda comissão e só tinha saído daqui há poucos meses, lá fomos os dois pernoitar fora, na palhota. Vila Cabral não parecia África, de noite passamos um frio que nem calculam.
Creio que no dia seguinte, e aqui não haveria autocarros que pudessem fazer esta viagem pela picada, transporte feito em camiões, rumo a Meponda. Meponda que seria o nosso ponto de embarque para a nossa última etapa da viagem.
Muitas peripécias pelo caminho. Um caminho muito longo derivado às condições da picada, em muito más condições, possivelmente sem alguma reparação já há uns anos, aqui já por prevenção e já em zona de combate armados para qualquer eventualidade. G3, cinco carregadores cheios, lá vamos.
Meponda era como se um porto de embarque e desembarque para tropas. Sem cais, só havia
uma pequena muralha em madeira que dava para as lanchas encostar, uma de cada lado.
Embarcamos em duas L F patrulhas rápidas que nos levaram ao destino.
Metangula.
O Paraíso do Niassa.
A primeira paragem foi no Funchal (uma chegada pela fresquinha da manhã), mesmo no cais e a espera de alguem que estivesse interessado numa corrida pela cidade, havia uns taxis bem velhinos mas muito bem estimados, seria como agora um Limousine. Uma cidade bem diferente numa ilha de que pouco tinha ouvido falar antes.
Saímos do barco por umas horas e fomos dar uma volta a pé pela baixa da cidade, pára-se para beber umas cervejas numa esplanada, visitam-se umas quantas lojas para apreciar os artigos artesanais, mais um dedo de conversa, mais umas voltas e vamos de regresso ao barco.
Mais algum tempo para sairmos do porto do Funchal, ora bem, um barco é um pouco diferente de um automóvel, enquanto um automóvel se estaciona e tira do estacionamento em segundos, um barco com este porte, e não era dos maiores, leva muitos minutos, por vezes horas para fazer estas manobras.
Faz-se a largada e a partir daqui é só comer e dormir durante sete dias e sete noites, foi o tempo que nos levou a chegar a S Tomé, só agua e céu e algumas gaivotas, muito poucas, era só o que se via, posso dizer que estava impressionado com tanta água.
Às vezes lá apareciam uns golfinhos, ou uns peixes voadores, tirando isso, água mais água, céu e mais céu, muitas vezes deitados ao sol no convés para passar o tempo.
Em S. Tomé não havia cais, para se ir a terra faziam-nos transportar num pequeno barco e lá fomos explorar o que era a ilha, aqui a pobreza evidenciava-se, o que era bem notável.
Algumas pretas tentando vender peças de artesanato regional, outras a tentar convencer-nos para irmos conhecer a palhota, mas nesta ainda passei, estava a começar a conhecer gente totalmente diferente do que estava habituado e as primeiras impressões não eram as melhores e por enquanto não me queria envolver com elas, talvez um pouco cedo.
Beberam-se algumas bebidas tradicionais e pouco mais, pois havia pouco que ver nesta ilha.
Daqui fomos até Luanda, uma beleza aquela entrada na baia de Luanda é como um sonho que não mais se esquece, qualquer coisa de inédito que só vendo se consegue perceber do que estou falando, aquela marginal vista de longe aqueles coqueiros ao longo da praia, creio nem em fotografia se consegue imaginar. Ficamos também por algum tempo na cidade, deu para visitar e conhecer um pouco.
Próxima paragem o Lobito, depois Moçamedes isto em Angola, estas cidades mais pequenas mas não sem coisas lindas para ver.
Cape Town e Durban na África do Sul, em todas estas cidades saímos por umas horas para visitar. Aqui e armados em turistas e sempre à civil, na África do Sul não poderíamos e por causas de pró formes políticos não devíamos sair fardados, alguns num grupo a que eu pertencia, andando pelas avenidas, na baixa de Cape Town. A certa altura levo um encontrão de um preto e lá se foram uns óculos baratos que levava no bolso de cima do casaco, ele numa fuga rápida sem perseguição.
Nesta viagem houve um membro do destacamento, na altura 2nd Sargento FZE José Francisco Valente Ramos, conheceu uma senhora Sul-africana que viajava creio desde Lisboa no mesmo barco, do qual mais tarde viriam a casar. No momento em que escrevo e por conhecimento, eles encontram-se a viver em Durban na África do Sul.
A próxima paragem Lourenço Marques, chegamos a tardinha o barco atracou ao cais e aqui havia dois casais na muralha a espera do barco, os meus dois irmãos mais velhos que se encontravam em Moçambique desde 1959 e as esposas. Foi uma pequena reunião de família.
Como aqui o barco só iria sair no dia seguinte andaram-me a mostrar a cidade. Em 1969 a cidade era linda aquela avenida da República, depois a continuação da marginal até à Costa do Sol, aqueles coqueiros e pinheiros mansos junto à praia um paisagem muito diferente.
Desta vez jantei com eles e fiquei fora até ao dia seguinte, se bem me lembro, creio termos jantado no restaurante da Costa do Sol.
No dia seguinte o reembarque rumo à Beira.
Tivemos que fazer o reconhecimento obrigatório do Moulin Rouge e todos os outros bares da zona. Era uma atracção turística desta cidade.
Não me lembro quanto tempo ficamos.
Novamente a bordo rumo a Nacala, foi o fim da viagem de barco e à despedida do paquete Angola. Viagem que terminou a 17 de Junho de 1969.
Por ser Junho não se notava muito a diferença na temperatura ambiental como estávamos no hemisfério sul, aqui estaríamos no inverno.
Estivemos um dia e uma noite na base dos Pára-quedistas, alguma convivência, um dedo de conversa, umas histórias de coisas passadas.
18/6/1969 Base aérea de Nacala, num Nor Atlas lá foi todo o pessoal, 80 homens de uma só vez dentro daquele menino, avião um pouco estranho devido a sua configuração.
Vila Cabral, uma viagem que durou cerca de uma hora e pouco, uma cidade pequena situada num planalto no norte de Moçambique para quem não saiba a capital da província do Niassa.
Niassa é um lago que se situa entre Moçambique e o Malawi (e mais a norte de Moçambique, a Tanzânia), lago de onde origina o nome da província, lago esse que irei falar mais daqui para a frente.
Tivemos que pernoitar, uns no aquartelamento da Marinha, outros, já se começavam a desenrascar e pernoitaram fora, assim como eu com a companhia do Arraza, que já conhecia Vila Cabral, pois era a sua segunda comissão e só tinha saído daqui há poucos meses, lá fomos os dois pernoitar fora, na palhota. Vila Cabral não parecia África, de noite passamos um frio que nem calculam.
Creio que no dia seguinte, e aqui não haveria autocarros que pudessem fazer esta viagem pela picada, transporte feito em camiões, rumo a Meponda. Meponda que seria o nosso ponto de embarque para a nossa última etapa da viagem.
Muitas peripécias pelo caminho. Um caminho muito longo derivado às condições da picada, em muito más condições, possivelmente sem alguma reparação já há uns anos, aqui já por prevenção e já em zona de combate armados para qualquer eventualidade. G3, cinco carregadores cheios, lá vamos.
Meponda era como se um porto de embarque e desembarque para tropas. Sem cais, só havia
uma pequena muralha em madeira que dava para as lanchas encostar, uma de cada lado.
Embarcamos em duas L F patrulhas rápidas que nos levaram ao destino.
Metangula.
O Paraíso do Niassa.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
As memorias de um eis combatente No 5
[ Agora com ajuda de um amigo, porquqe o meu Portugues esta cheio de ferrugem. ]
Princípio de Janeiro voltamos à Escola de Fuzileiros.
No dia seguinte embarcados em autocarros, viajamos por duas semanas para S. Jacinto e ria de Aveiro, para uma nova etapa de exercícios anfíbios.
Constava de descidas diurnas e nocturnas pela ria. As diurnas, ainda com algumas réstias de sol não eram muito mas. As nocturnas, aqui é que começa o problema; depois do cair da noite, naquela área e no princípio de Janeiro e em rio aberto, era um sítio onde não se podiam fechar portas para parar as rajadas de vento frio, nas altas horas da noite.
Numa destas saídas nocturnas, lembro-me, nos zebros III, num caso de reconhecimento, navegando a remos, algum tempo depois vimo-nos obrigados a procurar abrigo, não interessava onde, o que interessava foi o que aconteceu algumas horas depois, conseguimos o tão desejado abrigo, num antigo armazém já em mau estado de conservação, que tinha sido armazém de cimento, isso não nos interessava, porque era bem melhor do que lá fora no aberto.
Ficamos até de manhã neste abrigo, voltando à base de seguida.
Novos exercícios, novos treinos, com e sem armas, algumas vezes só com a faca de mato que nos tinha sido entregue no princípio do curso e qual nos iria acompanhar por alguns anos.
Não me lembro muito do que aconteceu nestas duas semanas, estávamos acampados junto à base aérea de S. Jacinto, no lado norte da ria.
De volta à Escola de Fuzileiros, os exercícios continuaram como antes, provas de resistência e marchas cada vez mais longas e mais duras à medida que se aproximava o fim do curso.
A última e mais dura de todas, se bem me lembro, fomos completamente equipados de macaco, botas de lona, G3 e cartucheiras e levados até Palmela.
Saídos da escola ao anoitecer, desembarcamos dos autocarros e camiões, todos concentrados num sítio em Palmela. É dada a partida para andarmos 28.5 km por estrada e por mato, com a ordem de caminharmos rápido até a Escola de Fuzileiros e no menos tempo possível.
Passadas cerca de duas e meia, ou três horas, os mais adiantados começaram a chegar à Escola, a chegada do resto dos 178 alunos veio a prolongar-se por toda a noite.
Poderei salientar que não fui dos melhores, mas também não me considerei dos piores.
No final do curso, houve o recebimento da boina preta pela qual tanto se tinha lutado durante os últimos seis meses.
Dos 178, ficaram 5 que não conseguiram passar.
Todos os que passaram formaram na parada de farda preta (a farda de inverno). Tocou-se o Hino Nacional e fizeram-se todos os pro-formes da praxe.
À noite, na rádio livre da esquerda de Portugal foi dito bem alto e bom som, e sabendo que nos já tínhamos acabado o curso, e tínhamos recebido a boina preta, o locutor das notícias da noite anunciou: “Hoje mais 173 jovens assassinos terminaram o seu curso de Fuzileiros Especiais onde como recompensa receberam uma boina preta. Cuidado por onde eles passarem, estão preparados para tudo.”
Como já tinha mencionado, este curso terminou a dia 25 de Abril de 1969.
Com a mesma data somos agregados aos destacamentos de Fuzileiros Especiais 8, 9 e 10 para depois sermos enviados para África: o 8 com destino à Guiné, o 9 com destino a Moçambique e o 10 com destino a Angola. Por escolha preferi o 9 para Moçambique, a todos foi dada a opção de escolha, mas ouve muitos que não tinham preferências.
Os Oficiais, os Sargentos, os Cabos e os Marinheiros, na altura já estavam agregados aos destacamentos a que iriam pertencer.
Dali fomos passar mais umas férias a casa, mas o tempo que foi não posso precisar, mas creio que foram três ou quatro semanas e já com a data marcada do regresso.
Dia 28 de Maio saímos da Escola de Fuzileiros com destino ao cais de Alcântara, onde o Paquete Angola nos esperava para nos levar até Moçambique.
Ao fim da tarde embarcamos e ficamos no lado do barco que estava virado para o cais, a ver o pessoal que ali estava dizendo adeus aos que partiam. Algum tempo depois as amarras são retiradas dos cabeçotes da gare e puxadas para bordo, ao mesmo tempo os rebocadores começam a afastá-lo do cais.
Princípio de Janeiro voltamos à Escola de Fuzileiros.
No dia seguinte embarcados em autocarros, viajamos por duas semanas para S. Jacinto e ria de Aveiro, para uma nova etapa de exercícios anfíbios.
Constava de descidas diurnas e nocturnas pela ria. As diurnas, ainda com algumas réstias de sol não eram muito mas. As nocturnas, aqui é que começa o problema; depois do cair da noite, naquela área e no princípio de Janeiro e em rio aberto, era um sítio onde não se podiam fechar portas para parar as rajadas de vento frio, nas altas horas da noite.
Numa destas saídas nocturnas, lembro-me, nos zebros III, num caso de reconhecimento, navegando a remos, algum tempo depois vimo-nos obrigados a procurar abrigo, não interessava onde, o que interessava foi o que aconteceu algumas horas depois, conseguimos o tão desejado abrigo, num antigo armazém já em mau estado de conservação, que tinha sido armazém de cimento, isso não nos interessava, porque era bem melhor do que lá fora no aberto.
Ficamos até de manhã neste abrigo, voltando à base de seguida.
Novos exercícios, novos treinos, com e sem armas, algumas vezes só com a faca de mato que nos tinha sido entregue no princípio do curso e qual nos iria acompanhar por alguns anos.
Não me lembro muito do que aconteceu nestas duas semanas, estávamos acampados junto à base aérea de S. Jacinto, no lado norte da ria.
De volta à Escola de Fuzileiros, os exercícios continuaram como antes, provas de resistência e marchas cada vez mais longas e mais duras à medida que se aproximava o fim do curso.
A última e mais dura de todas, se bem me lembro, fomos completamente equipados de macaco, botas de lona, G3 e cartucheiras e levados até Palmela.
Saídos da escola ao anoitecer, desembarcamos dos autocarros e camiões, todos concentrados num sítio em Palmela. É dada a partida para andarmos 28.5 km por estrada e por mato, com a ordem de caminharmos rápido até a Escola de Fuzileiros e no menos tempo possível.
Passadas cerca de duas e meia, ou três horas, os mais adiantados começaram a chegar à Escola, a chegada do resto dos 178 alunos veio a prolongar-se por toda a noite.
Poderei salientar que não fui dos melhores, mas também não me considerei dos piores.
No final do curso, houve o recebimento da boina preta pela qual tanto se tinha lutado durante os últimos seis meses.
Dos 178, ficaram 5 que não conseguiram passar.
Todos os que passaram formaram na parada de farda preta (a farda de inverno). Tocou-se o Hino Nacional e fizeram-se todos os pro-formes da praxe.
À noite, na rádio livre da esquerda de Portugal foi dito bem alto e bom som, e sabendo que nos já tínhamos acabado o curso, e tínhamos recebido a boina preta, o locutor das notícias da noite anunciou: “Hoje mais 173 jovens assassinos terminaram o seu curso de Fuzileiros Especiais onde como recompensa receberam uma boina preta. Cuidado por onde eles passarem, estão preparados para tudo.”
Como já tinha mencionado, este curso terminou a dia 25 de Abril de 1969.
Com a mesma data somos agregados aos destacamentos de Fuzileiros Especiais 8, 9 e 10 para depois sermos enviados para África: o 8 com destino à Guiné, o 9 com destino a Moçambique e o 10 com destino a Angola. Por escolha preferi o 9 para Moçambique, a todos foi dada a opção de escolha, mas ouve muitos que não tinham preferências.
Os Oficiais, os Sargentos, os Cabos e os Marinheiros, na altura já estavam agregados aos destacamentos a que iriam pertencer.
Dali fomos passar mais umas férias a casa, mas o tempo que foi não posso precisar, mas creio que foram três ou quatro semanas e já com a data marcada do regresso.
Dia 28 de Maio saímos da Escola de Fuzileiros com destino ao cais de Alcântara, onde o Paquete Angola nos esperava para nos levar até Moçambique.
Ao fim da tarde embarcamos e ficamos no lado do barco que estava virado para o cais, a ver o pessoal que ali estava dizendo adeus aos que partiam. Algum tempo depois as amarras são retiradas dos cabeçotes da gare e puxadas para bordo, ao mesmo tempo os rebocadores começam a afastá-lo do cais.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
As memorias de um eis combatente No 4
Vale de Zebro
Escola de Fuzileiros
.... “o Paraiso”....
Nesta unidade preparava-se a Elite dos Boinas Pretas. Não desfazendo da capacidade de todas as outras Tropas Especiais Portuguesas.
Enquanto estávamos no nosso curso, foi-nos comunicado pelos instrutores, havia algum tempo atrás, que num dos cursos de Fuzileiros Especiais, tinham tido a visita de uma equipa de Fuzileiros Norte Americanos, para frequentar o curso que decorria naquela altura. Disseram que eles não conseguiram chegar a meio do curso. (The American Marines, the tough American guys), os homens que tanto têm combatido por esse mundo fora, não conseguiram aguentar um curso de Fuzileiros Especiais em Portugal.
Passando à frente:
Não vou conseguir contar tudo em detalhe pois já passaram muitos anos, mas vou fazer o melhor possível.
O curso começou a 17de Outubro de 1968, um curso muito duro por ter sido curso de Inverno, o que se prolongaria até, e por ironia do destino, ao 25 de Abril de 1969, no dia que 5 anos depois se viria a dar a revolução dos cravos em Portugal.
Enquanto à instrução dentro da Escola:
Nada começava sem a habitual formatura, pois era aqui que começava a disciplina.
Fizesse sol, chuva, frio, trovoada ou caíssem raios mas sempre a horas alternadas. Noutras horas, havia ginástica no ginásio, onde se treinava também box, judo e luta livre.
Lá fora nas pistas e nas marchas no lodo, sempre vestidos de fato-macaco, botas de lona e espingarda.
Na pista de cordas com saltos para o lodo, certas manhãs às cinco, tocava a levantar e de imediato vestia-se o macaco, calçavam-se as botas e lá íamos para a pista do lodo. Especialmente nas manhãs mais frias com gelo por cima do lodo. Nessa idade, não há nada que possa parar os jovens, que estão a ficar prontos para tudo.
Pista e travessia de cordas nos eucaliptos, a uma distância bem elevada do solo (esta mais conhecida pela aldeia dos macacos), pista esta que, no final tinha a descida da morte, em queda livre por corda. Foi nesta descida, onde dois camaradas nossos, devido à corda estar molhada, não se conseguiram aguentar e caíram de uma altura ainda bastante elevada, um partindo uma perna, o único jovem que tinha vindo até nós dos Açores, de nome; João Serpa da Rosa, de quem irei falar mais tarde. O outro teve mais sorte, pois não lhe aconteceu nada, este não vou tentar mencionar o nome pois não me lembro exactamente. Se ao acaso houver alguém que conheça esta história, que me oriente com nomes e datas, uma passagem que o meu amigo Luis terá com certeza mais vívida na sua memória.
Mais à frente, para o lado de Coina, existia outra pista de ginástica, esta assente no solo mas bastante dura também.
Todos os dias havia treino de tiro ao alvo, na carreira de tiro, dentro da escola com a G3, outras vezes, mas menos, com a pistola Walter; havia também sessões de treino na desmontagem, limpeza e montagem de armas.
Por vezes e pela calada da noite, alguns juntavam-se e iam dar uma volta lá por fora para sentir talvez um pouco de liberdade, ou talvez só por uma aventura, mas voltando sempre à unidade e à caserna e dormir, para no dia seguinte estarem em forma.
A 15 ou 16 Dezembro de 1968 (todos os alunos divididos em três grupos, o que aqui já se começou a chamar destacamento) marcharam com todo o equipamento, rumo à Serra da Arrábida, sempre pelo mato e a pé; até se atingir a serra onde se iria treinar por duas semanas.
Dois dias de marcha para chegar, dormindo no caminho para descansar por algumas horas, uma vez que o peso do equipamento e mochila era bastante.
Ja na serra treinos diurnos e nocturnos (como se já se estivesse em operações em Africa para onde iríamos depois do curso), escaladas e descidas pelas falésias e encostas de rocha lisa com e sem cordas.
Desembarques em LDM no Portinho da Arrábida, saltando da lancha a 30 ou 40 metros da areia.
Para os mais baixos, sem outra ipotese tinham que nadar ate ter pe', ao saltarem para a água.
Marchas de reconhecimento na ilha de Tróia:
De vez enquanto e quando em marcha, emboscadas foram feitas pelos instrutores.
E numa destas emboscadas e no cimo da serra ouviu-se em voz bem alta a anunciar: GRANADA, que foi lançada por um dos instrutores, ouve-se um rebentamento e um grito de dor no meio do mato, veio-se a saber depois que, um aluno que além do azar ainda teve sorte, ao atirar-se para o chão, com a sua arma cobrindo a cara. Havendo aí uma pequena cova por debaixo da arma, onde ao cair, a granada rolou indo rebentar mesmo por debaixo da arma, para o azar do aluno, este acidente provocou a perda de uma vista, mas graças a Deus, não morreu.
Evacuado para o Hospital, nunca mais soube o que se passou com dele.
Rajadas de metralhadora em que sentíamos a balas a passar por cima de nós faziam-se sentir.
Exercícios de tiro em como responder a uma emboscada, e como fazer um contra-ataque.
Refeições eram às vezes fornecidas pela Escola; outras vezes, eram rações de combate para nos irmos habituando a elas.
Fomos na altura apanhados por uma tempestade de chuva, vento e frio no topo da serra! Aqui sim, estávamos em pleno inverno.
Tentou-se acender fogueiras; mas nem com a ajuda de gasolina se conseguiu tornou-se impossível devido ao vento e chuva. O 2nd comandante de instrução, Xavier de Oliveira e depois de dois alunos terem desmaiado com o frio, resolve evacuar todo o pessoal para a Escola.
Fora requisitados autocarros e camiões e por volta das 10:00 da noite, ou um pouco mais tarde, o pessoal estava a caminho da Escola de Fuzileiros.
No dia seguinte, e como era próximo do Natal, fomos todos para casa de férias por uma semana para recuperar.
Escola de Fuzileiros
.... “o Paraiso”....
Nesta unidade preparava-se a Elite dos Boinas Pretas. Não desfazendo da capacidade de todas as outras Tropas Especiais Portuguesas.
Enquanto estávamos no nosso curso, foi-nos comunicado pelos instrutores, havia algum tempo atrás, que num dos cursos de Fuzileiros Especiais, tinham tido a visita de uma equipa de Fuzileiros Norte Americanos, para frequentar o curso que decorria naquela altura. Disseram que eles não conseguiram chegar a meio do curso. (The American Marines, the tough American guys), os homens que tanto têm combatido por esse mundo fora, não conseguiram aguentar um curso de Fuzileiros Especiais em Portugal.
Passando à frente:
Não vou conseguir contar tudo em detalhe pois já passaram muitos anos, mas vou fazer o melhor possível.
O curso começou a 17de Outubro de 1968, um curso muito duro por ter sido curso de Inverno, o que se prolongaria até, e por ironia do destino, ao 25 de Abril de 1969, no dia que 5 anos depois se viria a dar a revolução dos cravos em Portugal.
Enquanto à instrução dentro da Escola:
Nada começava sem a habitual formatura, pois era aqui que começava a disciplina.
Fizesse sol, chuva, frio, trovoada ou caíssem raios mas sempre a horas alternadas. Noutras horas, havia ginástica no ginásio, onde se treinava também box, judo e luta livre.
Lá fora nas pistas e nas marchas no lodo, sempre vestidos de fato-macaco, botas de lona e espingarda.
Na pista de cordas com saltos para o lodo, certas manhãs às cinco, tocava a levantar e de imediato vestia-se o macaco, calçavam-se as botas e lá íamos para a pista do lodo. Especialmente nas manhãs mais frias com gelo por cima do lodo. Nessa idade, não há nada que possa parar os jovens, que estão a ficar prontos para tudo.
Pista e travessia de cordas nos eucaliptos, a uma distância bem elevada do solo (esta mais conhecida pela aldeia dos macacos), pista esta que, no final tinha a descida da morte, em queda livre por corda. Foi nesta descida, onde dois camaradas nossos, devido à corda estar molhada, não se conseguiram aguentar e caíram de uma altura ainda bastante elevada, um partindo uma perna, o único jovem que tinha vindo até nós dos Açores, de nome; João Serpa da Rosa, de quem irei falar mais tarde. O outro teve mais sorte, pois não lhe aconteceu nada, este não vou tentar mencionar o nome pois não me lembro exactamente. Se ao acaso houver alguém que conheça esta história, que me oriente com nomes e datas, uma passagem que o meu amigo Luis terá com certeza mais vívida na sua memória.
Mais à frente, para o lado de Coina, existia outra pista de ginástica, esta assente no solo mas bastante dura também.
Todos os dias havia treino de tiro ao alvo, na carreira de tiro, dentro da escola com a G3, outras vezes, mas menos, com a pistola Walter; havia também sessões de treino na desmontagem, limpeza e montagem de armas.
Por vezes e pela calada da noite, alguns juntavam-se e iam dar uma volta lá por fora para sentir talvez um pouco de liberdade, ou talvez só por uma aventura, mas voltando sempre à unidade e à caserna e dormir, para no dia seguinte estarem em forma.
A 15 ou 16 Dezembro de 1968 (todos os alunos divididos em três grupos, o que aqui já se começou a chamar destacamento) marcharam com todo o equipamento, rumo à Serra da Arrábida, sempre pelo mato e a pé; até se atingir a serra onde se iria treinar por duas semanas.
Dois dias de marcha para chegar, dormindo no caminho para descansar por algumas horas, uma vez que o peso do equipamento e mochila era bastante.
Ja na serra treinos diurnos e nocturnos (como se já se estivesse em operações em Africa para onde iríamos depois do curso), escaladas e descidas pelas falésias e encostas de rocha lisa com e sem cordas.
Desembarques em LDM no Portinho da Arrábida, saltando da lancha a 30 ou 40 metros da areia.
Para os mais baixos, sem outra ipotese tinham que nadar ate ter pe', ao saltarem para a água.
Marchas de reconhecimento na ilha de Tróia:
De vez enquanto e quando em marcha, emboscadas foram feitas pelos instrutores.
E numa destas emboscadas e no cimo da serra ouviu-se em voz bem alta a anunciar: GRANADA, que foi lançada por um dos instrutores, ouve-se um rebentamento e um grito de dor no meio do mato, veio-se a saber depois que, um aluno que além do azar ainda teve sorte, ao atirar-se para o chão, com a sua arma cobrindo a cara. Havendo aí uma pequena cova por debaixo da arma, onde ao cair, a granada rolou indo rebentar mesmo por debaixo da arma, para o azar do aluno, este acidente provocou a perda de uma vista, mas graças a Deus, não morreu.
Evacuado para o Hospital, nunca mais soube o que se passou com dele.
Rajadas de metralhadora em que sentíamos a balas a passar por cima de nós faziam-se sentir.
Exercícios de tiro em como responder a uma emboscada, e como fazer um contra-ataque.
Refeições eram às vezes fornecidas pela Escola; outras vezes, eram rações de combate para nos irmos habituando a elas.
Fomos na altura apanhados por uma tempestade de chuva, vento e frio no topo da serra! Aqui sim, estávamos em pleno inverno.
Tentou-se acender fogueiras; mas nem com a ajuda de gasolina se conseguiu tornou-se impossível devido ao vento e chuva. O 2nd comandante de instrução, Xavier de Oliveira e depois de dois alunos terem desmaiado com o frio, resolve evacuar todo o pessoal para a Escola.
Fora requisitados autocarros e camiões e por volta das 10:00 da noite, ou um pouco mais tarde, o pessoal estava a caminho da Escola de Fuzileiros.
No dia seguinte, e como era próximo do Natal, fomos todos para casa de férias por uma semana para recuperar.
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Cancioneiro do Niassa Velhas picadas esburacadas Capim cerrado E o calor, sinto o suor Corpo cansado Moscas mosquitos Bichos esquisitos Ai é...


