sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Operação Montelima (4)

Todo o pessoal começava a mostrar fadiga consequente de um dia e uma noite de marcha seguida, intercalada de pequenos descansos.

Avisou-se todo o pessoal da proximidade da sentinela, e saindo do trilho, fizemos um desvio contornando alguns morros para Sul da sentinela.
Às 4,50 h apareciam já perto as primeiras cubatas da Base. Foi deixado um pequeno grupo guardando o equipamento e os prisioneiros, e cerca de 40 Fuzileiros avançaram aligeirados em linha para a Base.
O silêncio era completo. Apareciam no horizonte os primeiros alvores do dia 27.
O primeiro pormenor que me saltou á vista era a grande área onde se espalhavam, a perder de vista, numa desordem propositada, dezenas e dezenas de cubatas de vários tamanhos e feitios, bastante afastadas umas das outras, e todas debaixo de denso arvoredo, ligadas entre elas por trilhos muito batidos. Continuamos a avançar em linha. De um lado ao outro, algumas cubatas não eram abrangidas pela frente de assalto. A imensidão da área, preocupava-me bastante.
A primeira equipa entrou numa cubata. Na cama, deitado, um homem levanta-se sobressaltado e pega na arma. È abatido. Era o secretário geral da Base Central ( Dustão Paulo Candeia).
Assim se iniciou, em totalsurpresa, o assaltoá Base Central, também chamada Ichinga, Vila Cabral ou Mepotxe.
As 3 Mgs abriram fogo em simultãneo, varrendo toda a área em zonas sobre postas.
Logo se confirmou que a base se estendia muito para a nossa frente. das cubatas, ao longe, saiam elementos IN que ripostavam ao fogo.Em breve a frente de fogo IN obrigava a um avanço cauteloso.
Na ala esquerda, tinham sido também abatidos mais elementos IN ainda dentro das cubatas.
O IN tinha entretantoinstalado uma metrelhadora ligeira que varria as nossas posições.
Depois de uma ligeira resist~encia debandaram, julgo que, com muitos feridos. Foram avistados alguns elementos IN , ao longe que caiam e se levantavam novamente.

Operação Montelima (3)

As duas primeiras cubatas, eram ocupadas por elementos PF ( população fugida) armada, que vigiava os acessos Norte da povoação, mas que segundo as previsões ...dormiam aquela hora ( cerca de meia noite)
Avançamos cautelosamente, e, então, encaixadas nas vertentes do vale e ocultas por denso arvoredo, apareceram as habitações.
Os elementos PF foram capturados de surpresa,em silêncio, e apreendidas armas: 1 Simonov, 1 Steyer. Foram aparecendo mais palhotas.
O número de PF capturados era já numeroso e incómodo,atendendo á missão a cumprir: atacar a Base Central. Esta nossa passagem pela povoação era,segundo indicações do guia, o caminho menos previsível para atingir a Base. Seguiram assim connosco, os elementos PF, pois deixados no local poderiam alertar a Base.
O DFE e "incorporados", Formavam já uma coluna de 90 elementos aprox.
Depois de atingido outro braço do Rio Fubué. Subimos para o planalto, e, ao rumo geral NE, seguimos uma picada que ligava a povoação de Batamica á Base Central
Os elementos capturados, nada acrescentaram ao que já se sabia, embora tivessem afirmado haver muito movimento na Base .
A noite, agora, com lua descoberta, facilitava um avanço rápido. Aliás, urgia despacharmo-nos, pois era já cerca das 1,00 h, e tinhamos de chegar á Base aos primeiros alvores.
O terreno começava a tornar-se novamente muito acidentado; o trilho seguia contornando cumeadas de encostas abruptas. as horas iam passando,e sempre em marcha mais acelarada aproximavamo-nos da Base.
A ideia de chegar á base já depois do alvorecer, obsecava-me.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Operação Montelima (2)

O DFE 9 a 3 GA, embarcou no Cobué na LFP Mercúrio a 26/2 - 3,30 h, tendo desembarcado a sul da Foz do Rio Limbué ás 6,00 h.


depois de desembarcar em botes ZebroIII, ás 6,30 h, iniciamos marcha, ao rumo geral ENE, passando por locais já nossos conhecidos.

Cerca das 14 h, atravessamos o Rio Matamatxi, afluente do rio Fubué.

O terreno tornava-se gradualmente mais montanhoso. O nosso rumo era agora quase ESTE.

Às 18 h estacionamos.

Segundo as indicações do guia ( tinha sido apanhado dias antes por uma Cia do Exército) estavamos perto das nascentes do Rio Fubué.

Estacionamos em local aprox. 12º 24' - 34º 49', das 18 ás 22 h.

Às 22,30 h , com uma lua ainda pálida e encoberta, continuamos marcha, lentamente, devido ao acidentado do terreno.

Descemos.

Do fundo, do vale, chegava até nós o barulho da água corrente; era o Rio Fubué.

Por um pequeno carreiro que o guia conhecia, fomos descendo ( de outra forma mesmo de dia não era quase possível) o guia avançando á frente, garantiu-me que o trilho não estava armadilhado. E assim, andando, escorregando,num emaranhado de capim, arbustos e silvas, chegamos ao Fubué.

A partir desse momento, o silêncio era imprescindível. A marcha tornava-se ainda mais lenta,avançamos pelo leito do rio a favor da corrente, com água pelos joelhos.

A zona e o terreno era para nós desconhecido.

Segundo indicações do guia, já perto, encontravam-se as primeiras palhotas da povoação Batamica, controlada pela Base Central.

Operação Montelima (1)

Operação Montelima


DESTACAMENTO DE FUZILEIROS ESPECIAIS 9

Moçambique 1969/71

Operação : localizar e destruir bases e grupos inimigos na zona sector A

Ordem de 25/2/1970 REINTEDEF.

O DFE embarca a 3 GA na LF Mercúrio.

Formação de comando-- Com. 2º Ten. Baptista Coelho +2 = 3

1º Grupo de Assalto --1º Sarg. Colaço +18 = 19

2º " " --2º Sarg. Miranda +18 = 19

3º " " -- S/Tenente Ismael Monteiro + 18 = 19

TOTAL--------------------------------------------------------------- 60

carregadores nativos ----8

Guias de combate --------2

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

As memorias de um eis combatente No 16

Certa manhã a patrulha que saiu para norte do Mecíto dá o alerta de haver vestígios de ter havido mechida na linha.
Chamada pela rádio elá vamos nós novamente, creio ter-mos ido a pé, por não ter-mos uma zorra dedicada só para esta estação quando era necessário era requesitada a Caldas Xavier.
Chegados ao local suspeito monta-se a segurança faz-se o reconhecimento da area e é encontrado um fio e algumas baterias que era o necessário para fazer o rebentamento.
Só que pelo que conseguimos apurar os frelimos devem ter tido medo e fugido do local deixando tudo para traz.
Depois de tudo reconhecido, á que começar a trabalhar.
Aqui já tinhamos a certeza de haver qualquer coisa na linha, nunca pensando que podesse ser tão grande.
A primeira operação era descobrir o fio junto a linha e corta-lo, depois do engenho explosivo estar inutelizado e desarmado, há que levanta-lo.
Mando afastar o pessoal da zona e começo a remover pedra por pedra de entre as travessas até que começam a aparecer petardos de T.N.T. de 200 grs cada.
Procuro o que tem o detonador e desarmo-o, a partir daqui tudo foi mais fácil.
Começo a tirar um por um e empilhalos em cima das travessas da linha. Soltos estavam 75 petardos mais uma caixa que depois de aberta continha outros 75. Ao todo foram removidos 30 Kg de T.N.T.
Claro que com estes levantamentos, havia um prémio suplementar para o funcionário que fazia os trabalhos de levantamento, o que fazia sempre jeito um extra.
Algum tempo depois resolvi mudar de vida e voltar para o sul.
E com esta mensagem creio ser e por agora a útima desta série.
Ora bem amigos, camaradas e para todos aqueles que tiveram a paciência de ler estas minhas memorias um grande abraço para todos.
Estas são e continuarão bem acezas na minha memoria,
Como as memorias de um eis combatente.

domingo, 28 de novembro de 2010

As memorias de um eis combatente No 15

Noutra ocasião agora na parte norte do Mecíto.

É feita a abertura da linha o primeiro comboio vindo de Mutarara chega, e passado algum tempo sai do Mecíto, poucos minutos depois ouve-se um rebentamento.
Sem perguntar porquê lá vamos nos na zorra para ver o que se passa.
Uma mina na linha que não tinha sido detectada foi accionada á distância.
Esta acidente foi bastante grave, derivado á velocidade da composição o estrago torna-se muito maior.
(Todas as composições eram propulcionadas por duas locomotivas a vapor uma a seguir á outra na frente do comboio, mesmo assim na frente das locomotivas ainda havia dois vagões abertos carregados de sacos de areia).
Quando chegamos ao local a primeira máquina tinha sido atingida em cheio.
O maquinista da primeira maquina ficou preso, pelo embate da Segunda maquina sem possibilidades de escapa, morrendo ali queimado pelo vapor. O da segunda maquina quando chegamos estava deitado no capim com um pé preso so pela pele.

Estes dois maquinistas tinha chegado de Portugal uma semana antes.

Cancioneiro do Niassa Velhas picadas esburacadas Capim cerrado E o calor, sinto o suor Corpo cansado Moscas mosquitos Bichos esquisitos Ai é...