segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Operação Montelima - 5

Entretanto na ala direita a metralhadora IN tinha causado 1 morto e um ferido grave ás NF's de uma equipa que, corajosamente,tinha avançado para ela, fazendo-a por fim calar. O 1º Grt. FZE 455/68 Salema, empunhando a MG/42, fazendo fogo, de pé,mostrou-se um elemento de excepcionais qualidades de sangue frio e energia.

De uma das cubatas saíu então, um IN de braços levantados que falando em português, se rendeu. Era henrique Manuel Catamaça, comandante distrital das sabotagens da Base Gungunhana. Foi algemado. Apresentava alguns ferimentos tendo sido imediatamente curado.
A perseguição dos grupos IN em fuga, tornava-se difícil pela grande distância a que se encontravam.
No centro da nossa linha de fogo, foram abatidos mais 5 elementos IN que tentavam a fuga.
Foram obtidas algumas informações, pelo prisioneiro.
Soube , assim; que o comandante da Base se encontrava fora com um grupo em patrulha; que o 1º IN morto era o secretário; o chefe de material fugiu muito ferido que na Base se encontrava o comissário político que também gravemente ferido fugiu.
Soube,também,que em toda a zona limitada pela picada de Miandica só existia, actualmente, a Base Central, à qual se tinham fundido as Bases Tchia, Mepotxe Ee Namatumba; que existiam Bases de Movimento em Namatumba, Tchia e mepotxe, que todas as noites mudavam de local, e eram compostas por grupos de 8 elementos; que existiam ainda vários pequenos grupos em patrulha espalhados na área e controlando as populações e machambas.
Confirmou ainda a total surpresa do ataque, afirmando que na Base se considerava impossível um ataque pelas NT, devido á sua localização.
Entretanto recolhiam-se as armas deixadas no terreno,documentos,em grande quantidade,especialmente na cubata do secretário e chefe de material,fardamento e equipamento de combate.
Entretanto um grupoIN flagenlou-nos pela retaguarda.
Era necessário recuar que serviria de pista de aterragem para o helie procurar uma posição de defesa a fim de pedir a evacuação do morto e do ferido grave. Os vários grupos "móveis" da zona, julgo que, convergiam para o local. Feita a comunicação iniciou-se marcha de regresso, ao rumo geral SUL. O terreno aprentava grandes desvantagens táticas para uma força como a nossa, em longa coluna, marcha muito lenta e com inúmeras paragens para mudar os elementos que transportavam a maca com o corpo do nosso camarada morto; muito acidentado e totalmente despido de vegetação. Desde logo notei que pequenos grupos IN se podiam aproveitar da situação, flagelando-nos de longe morro-a-morro.
Era necessário procurar um local para a evacuação. Foi escolhido um morro, relativamente isolado, e montada a protecção em redor. Foram abatidas três árvores para abrir uma boa clareira que serviria de pista de aterragem para o heli.
As comunicações com Augosto Cardoso ( Metangula) efectuaram-se em RACAL, em óptimas condições, em fonia, com antena horizontal Dipolo.
Eram cerca das 8,30 h.
Até ás 11 h tentou-se entrar em contacto com o heli e o "caça T-6 " de apoio, porém, sem resultados.
Os mesmos não conseguiam também localizar-nos, embora tivesse sido dada a nossa posição do DFE 9, em relação a três pontos dominantes: os montes Txifuli, Bembe e Chissindo. Já perto das 11 h , e com o heli em terceira tentativa, foi a nossa posição flagelada por duas vezes. O local não apresentava qualquer defesa e, assim, decidi mudar-me.
O IN continuava, aproveitando o terreno, a fazer fogo de longe, bem abrigado. A continuação para W,se o caminho mais perto para o Lago Niassa, continuava sendo desfavorável para a nossa força,em marcha lenta e com pouca mobilidade.
Urgia evacuar o ferido grave e o morto.
Todo o pessoal do DFE 9, denotava já o extremo cansaço de um dia e uma noite de marcha, seguido de um violento golpe de mão.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

27 de Fevereiro de 1970

Neste dia foi morto em combate o nosso camarada João Serpa da Rosa
Durante a operação Montelima

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Operação Montelima (4)

Todo o pessoal começava a mostrar fadiga consequente de um dia e uma noite de marcha seguida, intercalada de pequenos descansos.

Avisou-se todo o pessoal da proximidade da sentinela, e saindo do trilho, fizemos um desvio contornando alguns morros para Sul da sentinela.
Às 4,50 h apareciam já perto as primeiras cubatas da Base. Foi deixado um pequeno grupo guardando o equipamento e os prisioneiros, e cerca de 40 Fuzileiros avançaram aligeirados em linha para a Base.
O silêncio era completo. Apareciam no horizonte os primeiros alvores do dia 27.
O primeiro pormenor que me saltou á vista era a grande área onde se espalhavam, a perder de vista, numa desordem propositada, dezenas e dezenas de cubatas de vários tamanhos e feitios, bastante afastadas umas das outras, e todas debaixo de denso arvoredo, ligadas entre elas por trilhos muito batidos. Continuamos a avançar em linha. De um lado ao outro, algumas cubatas não eram abrangidas pela frente de assalto. A imensidão da área, preocupava-me bastante.
A primeira equipa entrou numa cubata. Na cama, deitado, um homem levanta-se sobressaltado e pega na arma. È abatido. Era o secretário geral da Base Central ( Dustão Paulo Candeia).
Assim se iniciou, em totalsurpresa, o assaltoá Base Central, também chamada Ichinga, Vila Cabral ou Mepotxe.
As 3 Mgs abriram fogo em simultãneo, varrendo toda a área em zonas sobre postas.
Logo se confirmou que a base se estendia muito para a nossa frente. das cubatas, ao longe, saiam elementos IN que ripostavam ao fogo.Em breve a frente de fogo IN obrigava a um avanço cauteloso.
Na ala esquerda, tinham sido também abatidos mais elementos IN ainda dentro das cubatas.
O IN tinha entretantoinstalado uma metrelhadora ligeira que varria as nossas posições.
Depois de uma ligeira resist~encia debandaram, julgo que, com muitos feridos. Foram avistados alguns elementos IN , ao longe que caiam e se levantavam novamente.

Operação Montelima (3)

As duas primeiras cubatas, eram ocupadas por elementos PF ( população fugida) armada, que vigiava os acessos Norte da povoação, mas que segundo as previsões ...dormiam aquela hora ( cerca de meia noite)
Avançamos cautelosamente, e, então, encaixadas nas vertentes do vale e ocultas por denso arvoredo, apareceram as habitações.
Os elementos PF foram capturados de surpresa,em silêncio, e apreendidas armas: 1 Simonov, 1 Steyer. Foram aparecendo mais palhotas.
O número de PF capturados era já numeroso e incómodo,atendendo á missão a cumprir: atacar a Base Central. Esta nossa passagem pela povoação era,segundo indicações do guia, o caminho menos previsível para atingir a Base. Seguiram assim connosco, os elementos PF, pois deixados no local poderiam alertar a Base.
O DFE e "incorporados", Formavam já uma coluna de 90 elementos aprox.
Depois de atingido outro braço do Rio Fubué. Subimos para o planalto, e, ao rumo geral NE, seguimos uma picada que ligava a povoação de Batamica á Base Central
Os elementos capturados, nada acrescentaram ao que já se sabia, embora tivessem afirmado haver muito movimento na Base .
A noite, agora, com lua descoberta, facilitava um avanço rápido. Aliás, urgia despacharmo-nos, pois era já cerca das 1,00 h, e tinhamos de chegar á Base aos primeiros alvores.
O terreno começava a tornar-se novamente muito acidentado; o trilho seguia contornando cumeadas de encostas abruptas. as horas iam passando,e sempre em marcha mais acelarada aproximavamo-nos da Base.
A ideia de chegar á base já depois do alvorecer, obsecava-me.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Operação Montelima (2)

O DFE 9 a 3 GA, embarcou no Cobué na LFP Mercúrio a 26/2 - 3,30 h, tendo desembarcado a sul da Foz do Rio Limbué ás 6,00 h.


depois de desembarcar em botes ZebroIII, ás 6,30 h, iniciamos marcha, ao rumo geral ENE, passando por locais já nossos conhecidos.

Cerca das 14 h, atravessamos o Rio Matamatxi, afluente do rio Fubué.

O terreno tornava-se gradualmente mais montanhoso. O nosso rumo era agora quase ESTE.

Às 18 h estacionamos.

Segundo as indicações do guia ( tinha sido apanhado dias antes por uma Cia do Exército) estavamos perto das nascentes do Rio Fubué.

Estacionamos em local aprox. 12º 24' - 34º 49', das 18 ás 22 h.

Às 22,30 h , com uma lua ainda pálida e encoberta, continuamos marcha, lentamente, devido ao acidentado do terreno.

Descemos.

Do fundo, do vale, chegava até nós o barulho da água corrente; era o Rio Fubué.

Por um pequeno carreiro que o guia conhecia, fomos descendo ( de outra forma mesmo de dia não era quase possível) o guia avançando á frente, garantiu-me que o trilho não estava armadilhado. E assim, andando, escorregando,num emaranhado de capim, arbustos e silvas, chegamos ao Fubué.

A partir desse momento, o silêncio era imprescindível. A marcha tornava-se ainda mais lenta,avançamos pelo leito do rio a favor da corrente, com água pelos joelhos.

A zona e o terreno era para nós desconhecido.

Segundo indicações do guia, já perto, encontravam-se as primeiras palhotas da povoação Batamica, controlada pela Base Central.

Operação Montelima (1)

Operação Montelima


DESTACAMENTO DE FUZILEIROS ESPECIAIS 9

Moçambique 1969/71

Operação : localizar e destruir bases e grupos inimigos na zona sector A

Ordem de 25/2/1970 REINTEDEF.

O DFE embarca a 3 GA na LF Mercúrio.

Formação de comando-- Com. 2º Ten. Baptista Coelho +2 = 3

1º Grupo de Assalto --1º Sarg. Colaço +18 = 19

2º " " --2º Sarg. Miranda +18 = 19

3º " " -- S/Tenente Ismael Monteiro + 18 = 19

TOTAL--------------------------------------------------------------- 60

carregadores nativos ----8

Guias de combate --------2