domingo, 28 de novembro de 2010

As memorias de um eis combatente No 15

Noutra ocasião agora na parte norte do Mecíto.

É feita a abertura da linha o primeiro comboio vindo de Mutarara chega, e passado algum tempo sai do Mecíto, poucos minutos depois ouve-se um rebentamento.
Sem perguntar porquê lá vamos nos na zorra para ver o que se passa.
Uma mina na linha que não tinha sido detectada foi accionada á distância.
Esta acidente foi bastante grave, derivado á velocidade da composição o estrago torna-se muito maior.
(Todas as composições eram propulcionadas por duas locomotivas a vapor uma a seguir á outra na frente do comboio, mesmo assim na frente das locomotivas ainda havia dois vagões abertos carregados de sacos de areia).
Quando chegamos ao local a primeira máquina tinha sido atingida em cheio.
O maquinista da primeira maquina ficou preso, pelo embate da Segunda maquina sem possibilidades de escapa, morrendo ali queimado pelo vapor. O da segunda maquina quando chegamos estava deitado no capim com um pé preso so pela pele.

Estes dois maquinistas tinha chegado de Portugal uma semana antes.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

As memorias de um eis combatente No 14

Certa noite depois dos comboios terem passado (todos os dias dois para norte e dois para sul) depois das patrulhas terem regreçado ao aquartelamento depois da linha ter sido encerrada para qualquer actividade, começaram a ouvir-se rebentamentos para sul não muito longe do Mecito o que durou não muito tempo.

Demanhã no dia seguinte logo pela fresquinha o pessoal pôe-se a caminho para ver o que se tinha passado.
A cerca de dois quilometros e ainda uma certa distância do local começou-se a vislumbrar os estragos na linha.
Conforme nos fomos aproximando vimos que o carril esquerda estava partido que tambem havia 2 minas anti-carro que não tinham rebentado.
Na chegada ao local monta-se um despositivo de segurança dão-se indicações ao pessoal da defesa civil e tambem ao pessoal do exercito que nos tinha acompanhado para fazer a segurança e para num raio de acção de 75 a 100 metros fazer um completo reconhecimento de todo o terreno para a possibilidade de provaveis minas anti-pessoais.
Enquanto eu no local do rebentamento e pela esperiência que tinha de minas e armadilhas, ver a melhor maneira de remover as minas sem possiveis rebentamentos.
Nunca tinha acontecido ainda, mas para uma possivel contra armadilha (contra armadilha será uma armadilha por debaixo de uma mina a explodir quando se remove o que esta por cima) e jogando pelo seguro depois de ter removido os detonadores sem as ter movido.
Com uma corda amarrada a uma das mãozeiras que serviam para o transporte e a uma distância mais ou menos rasoavel, as minas foram removidas uma a uma sem qualquer sobressalto. Nada tambem para reportar nas redondesas.
Depois de tudo limpo na area resolvemos fazer o reconhecimento mais para sul ainda, na possiblidade de mais problemas mas só tinha sido ali.
Neste reconhecimento e andando sobre as traveças da linha e como num caso destes era eu sempre o da frente, dando instruções a todo o pessoal para não pisar for a da travessa. Depois de todo o pessoal da defesa civil e do exercito ter passado o último da fila, um soldado do exército para azar dele, pôs um pé no sítio errado, fora das travessas (mesmo depois de eu ter avisado) e fez o acionamento de uma mina anti-pessoal, ficando sem um pé. Foi metido numa zorra e evacuado.
Mais umas semanas passaram sem contratempos, até que novos rebentamentos mais a sul ainda.
Nova saida pela manhã bem cedinho aqui o estrago foi um pouco maior. Com a linha rebentada numa estenção de pelo menos trinta metros.
As mesmaas instruções de reconhecimento e segurança e á que começar a trabalhar, remover três minas anti-carro e depois tenho a noticia de muita actividade na area. Neste local e sempre com a ajuda de uma faca de mato levantei nesta manhã as três minas anti-carro e mais treze anti-pessoais que tinham sido encontradas pelo pessoal.
Depois dos detonadores terem sido removidos qualquer mina é totalmente inofenciva, era a primeira coisa que eu fazia era torna-las inofencivas.
Claro que depois a linha tem que ser reparada. Aqui entrava então o pessoal ferroviário com a proteção do Exercito.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As memorias de um eis combatente No 13

Depois de três meses e mais uns dias como civil, depois de uma tentative de emprego em Lourenço Marques, que não era muito fácil por não haver oferta.
Por conhecimento do meu irmão, lá arranjei emprego numa fábrica de cameras frigorificas como serralheiro.
Por pouco tempo e por ter havido uma chatice com o patrão (talvez por ele ser um pouco fascista).
Possivelmente por eu ter saido á pouco tempo da marinha, ou por eu estar ainda muito quente, por continuar a ter a guerra ainda nas veias e não aceitar as condições e os tratos de que estava e ser alvo pelo dono da fabrica, para não haver mais problemas resolvi sair, antes de acontecer algo de maior.
Estacionei em Manjacaze, uma vila no interior e no distrito do Xai-Xai, á espera que algo acontecesse.
E aconteceu, até que um dia lá na cantina (na loja), lá aparceu alguém.
Esse alguém que pertência á Policia do porto de Lourenço Marques.
Depois de algum tempo de conversa, ficou combinado para me encontrar com ele no comando da policia do porto, no escritório dele.
Lá apareci, depois de alguma conversa e como ele já tinha mais ou menos todos os papeis preparados foi só assinar.
Apartir dali fiquei a pertencer a esta unidade. A Defesa Civil. Neste caso eu diria mercenário.
Com o destino de mais tarde ser transferido para a defesa da linha de Téte, entre Mutarara e Moatize.
Por estar em aberto o curso para as comonicações e por estarem a ser colocados rádios em todas as estações da linha.
Como já tinha algum conhecimento do ramo, no que tinha aprendido enquanto na Marinha, entrei no curso imediatamente, juntando-me aos que tinham vindo lá de cima para frequenta-lo também.
Creio que três semanas depois e depois do curso ter acabado lá fomos todos até Caldas Xavier, onde era a nossa base principal.
O quartel general era em Lourenço Marques.
Selecionados e como os rádios ainda não estavam operacionais, fomos destribuidos pela linha onde me calhou ficar algum tempo em =X=(não lembro o nome), para fazer proteção á primeira destruição que tinha sido feita pela frelimo nesta linha. A ponte situada ao quilometro 212 da linha.
Dois guardas de cada vez e mais alguns auxiliares uma pequena barraca e ali ficava-mos entregues ao tempo durante uma semana até á vinda dos próximos dois guardas, para a rendição.
Quando os rádios ficaram operacionais fui colocado em Moatize com dois outros operadores.
Daqui nova paragem Mecito, uma paragem no meio de nada onde a unica actividade era a passagem dos comboios.
Tambem estava ali estacionada uma companhia do exército.
Esta zona estava baastante quente, geralmente todas as semanas havia problemas na área, rebentamentos na linha ou ataques ás patrulhas, patrulhas essas que saiam da base ao longo da linha uma para norte outra para sul tentando descobrir alguma actividade noturna, quando os ultimos chegassem ao seu posto era feita a chamada pela rádio a comunicar que naquela area a linha estava limpa.
De noite por vezes rebentamentos que eram feitos, por de dia haver as patrulhas que estavam destribuidas ao longo da linha.
E aqui começa ou entra a experiencia que tinha do que aprendi na marinha.
Deste ponto avante vou mencionar os quarto pontos mais importantes em que estive envolvido no levantamento de minas e armadilhas (materias esplosivos), tambem uma embuscada a uma zorra de noite em que me encontrava junto com outros (uma zorra é como um carro blindado que anda na linha).
Para proceder ao abastecimentos de comida e material de guerra em Caldas Xavier, saimos depois de almoço do Mecito, a base onde estavamos estacionados. Depois do abastecimento e no regreço já de noite a bastantes quilometros já de Caldas Xavier e depois de ter passado =XX=(não lembro o nome), fomos atacados com lança roquetes o que apanhou a zorra bem em cheio no lado direito, perfurando a blindagem de uma chapa de pelo menos meia polegada, nesta zorra a torre em que deveria ser montada uma metrelhadora, tinha sido removida, ficando um buraco em cima de pelo menos de secenta centimetros de diametro.
Os quatro guardas que viajavamos e mais alguns auxiliaries, nós os quarto guardas iamos sentados em cima da zorra com uma perna dentro outra de fora.
No momento do primeiro rebetamento o guarda que ia na minha frente e sem pensar e por falta de experiência mandou-se de cabeça para dentro, nos que ficamos em cima ainda respondemos ao tiroteio voltando-nos para traz, a zorra continuava a andar aqui já sem control.
O guarda quando bateu em baixo de cabeça, partiu o pescoço e ao mesmo momento foi tambem atingido por um estilhaço bastante grande que entrou pelo pescoço e ficou alojado muito perto do coração.
Tentando um SOS e como era eu o operador de rádio, mas como já estava ligado há muitas horas a bateria foi a vida, muita sorte para nós ainda ouve uma estação que nos ouviu e deu o alerta. Por ser de noite e não havendo outras possibilidades o guarda foi evacuado por outra zorra muito mais rápida que tinha vindo de Caldas Xavier para nos ajudar e levar o ferido para Moatize onde se encontrava já uma ambulancia á espera. A viagem levou pelo menos duas horas ou um pouco mais, para depois ser levado para o hospital de Téte onde chegou já sem vida, o seu nome, António José da Silva Lobo.
Depois de tudo isto voltamos a Caldas Xavier para reportes e proformas, só chegamos de volta ao Mecito, tarde no dia seguinte.