quinta-feira, 12 de agosto de 2010

As memorias de um eis combatente No 5

[ Agora com ajuda de um amigo, porquqe o meu Portugues esta cheio de ferrugem. ]

Princípio de Janeiro voltamos à Escola de Fuzileiros.
No dia seguinte embarcados em autocarros, viajamos por duas semanas para S. Jacinto e ria de Aveiro, para uma nova etapa de exercícios anfíbios.
Constava de descidas diurnas e nocturnas pela ria. As diurnas, ainda com algumas réstias de sol não eram muito mas. As nocturnas, aqui é que começa o problema; depois do cair da noite, naquela área e no princípio de Janeiro e em rio aberto, era um sítio onde não se podiam fechar portas para parar as rajadas de vento frio, nas altas horas da noite.
Numa destas saídas nocturnas, lembro-me, nos zebros III, num caso de reconhecimento, navegando a remos, algum tempo depois vimo-nos obrigados a procurar abrigo, não interessava onde, o que interessava foi o que aconteceu algumas horas depois, conseguimos o tão desejado abrigo, num antigo armazém já em mau estado de conservação, que tinha sido armazém de cimento, isso não nos interessava, porque era bem melhor do que lá fora no aberto.
Ficamos até de manhã neste abrigo, voltando à base de seguida.
Novos exercícios, novos treinos, com e sem armas, algumas vezes só com a faca de mato que nos tinha sido entregue no princípio do curso e qual nos iria acompanhar por alguns anos.
Não me lembro muito do que aconteceu nestas duas semanas, estávamos acampados junto à base aérea de S. Jacinto, no lado norte da ria.
De volta à Escola de Fuzileiros, os exercícios continuaram como antes, provas de resistência e marchas cada vez mais longas e mais duras à medida que se aproximava o fim do curso.
A última e mais dura de todas, se bem me lembro, fomos completamente equipados de macaco, botas de lona, G3 e cartucheiras e levados até Palmela.
Saídos da escola ao anoitecer, desembarcamos dos autocarros e camiões, todos concentrados num sítio em Palmela. É dada a partida para andarmos 28.5 km por estrada e por mato, com a ordem de caminharmos rápido até a Escola de Fuzileiros e no menos tempo possível.
Passadas cerca de duas e meia, ou três horas, os mais adiantados começaram a chegar à Escola, a chegada do resto dos 178 alunos veio a prolongar-se por toda a noite.
Poderei salientar que não fui dos melhores, mas também não me considerei dos piores.
No final do curso, houve o recebimento da boina preta pela qual tanto se tinha lutado durante os últimos seis meses.
Dos 178, ficaram 5 que não conseguiram passar.
Todos os que passaram formaram na parada de farda preta (a farda de inverno). Tocou-se o Hino Nacional e fizeram-se todos os pro-formes da praxe.
À noite, na rádio livre da esquerda de Portugal foi dito bem alto e bom som, e sabendo que nos já tínhamos acabado o curso, e tínhamos recebido a boina preta, o locutor das notícias da noite anunciou: “Hoje mais 173 jovens assassinos terminaram o seu curso de Fuzileiros Especiais onde como recompensa receberam uma boina preta. Cuidado por onde eles passarem, estão preparados para tudo.”
Como já tinha mencionado, este curso terminou a dia 25 de Abril de 1969.
Com a mesma data somos agregados aos destacamentos de Fuzileiros Especiais 8, 9 e 10 para depois sermos enviados para África: o 8 com destino à Guiné, o 9 com destino a Moçambique e o 10 com destino a Angola. Por escolha preferi o 9 para Moçambique, a todos foi dada a opção de escolha, mas ouve muitos que não tinham preferências.
Os Oficiais, os Sargentos, os Cabos e os Marinheiros, na altura já estavam agregados aos destacamentos a que iriam pertencer.
Dali fomos passar mais umas férias a casa, mas o tempo que foi não posso precisar, mas creio que foram três ou quatro semanas e já com a data marcada do regresso.
Dia 28 de Maio saímos da Escola de Fuzileiros com destino ao cais de Alcântara, onde o Paquete Angola nos esperava para nos levar até Moçambique.
Ao fim da tarde embarcamos e ficamos no lado do barco que estava virado para o cais, a ver o pessoal que ali estava dizendo adeus aos que partiam. Algum tempo depois as amarras são retiradas dos cabeçotes da gare e puxadas para bordo, ao mesmo tempo os rebocadores começam a afastá-lo do cais.

1 comentário:

  1. Parabéns João e Luis;
    Estes teus artigos neste blogue até ficam mais apetitosos à sua leitura.
    Relendo-os dão-me imenso gosto!
    Venham mais…
    Um abraço!

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